31.8.08

Todos os limites serão quebrados!



No próximo sábado, no Estádio Nacional de Pequim, será realizada a cerimônia de abertura da 13ª edição dos Jogos Paraolímpicos. Mais uma oportunidade que temos para prestigiarmos os atletas que superam todo tipo de adversidade para serem vencedores.
 
Serão cerca de 4.200 atletas de 148 países, competindo em 20 modalidades paradesportivas: atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, ciclismo, esgrima em cadeira de rodas, futebol de cinco, futebol de sete, golbol, hipismo, iatismo, judô, levantamento de peso, natação, remo (estreante nestes Jogos), rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco, tiro esportivo e vôlei sentado.
 
O Brasil estará presente com grandes atletas campeões e recordistas mundiais e paraolímpicos, como o nadador Clodoaldo Silva e as velocistas Ádria dos Santos e Teresinha Guilhermino, além de gratas surpresas como os atletas que foram sensação no Parapan do ano passado, no Rio. Eles certamente manterão a tradição brasileira em Paraolimpíadas. E ficaremos todos na torcida.

26.8.08

Participação do Brasil: Não foi um desastre, mas poderia ser melhor



Dois dias depois do final das Olimpíadas de Pequim, vários setores da sociedade criticam o que consideram um retrocesso na participação brasileira na maior competição esportiva mundial. De fato, houve um recuo no número de medalhas de ouro em relação aos Jogos de Atenas, em que nossos atletas subiram ao lugar mais alto do pódio, duas a mais. Na verdade, não houve uma resposta satisfatória ao alto investimento do governo e do COB nos atletas do Brasil, para os Jogos de Pequim.

Mesmo assim, há quem diga que houve um saldo positivo. O COB afirma que Pequim marcou a melhor participação brasileira em Jogos Olímpicos, o que é considerado longe da realidade. De todo modo, não há aquela sensação de impotência que atingia nossos atletas até bem pouco tempo atrás: sem contar o fiasco nos Jogos de Sydney, em 2000, quando nenhuma medalha de ouro foi ganha pelo Brasil, desde 1992 nossos atletas ganham mais de uma medalha de ouro em cada Olimpíada.

O fato, porém, dados os investimentos estatais, é que a participação brasileira poderia ter sido melhor em Pequim. Faltou um maior preparo psicológico a vários atletas de ponta, o que impediu que várias medalhas, que eram dadas como certas antes dos Jogos, fossem conquistadas. O próprio COB admitiu o problema, tanto que pretende prestar atenção nesse fato nos próximos anos. A esperança é que ocorra a mesma coisa que aconteceu nos dias seguintes ao encerramento dos Jogos de Sydney: que nossos dirigentes tomem consciência de que cada detalhe no trabalho é fundamental para alcançar o sucesso.

Cabe também incentivar o trabalho de base, com a educação física nas escolas. Mas o esporte é apenas um instrumento de melhoria da sociedade, não o canal principal. Acima da formação de atletas, que sejam formados cidadãos de bem. Afinal, é disso que o nosso país anda precisando.

25.8.08

Que venha Londres!



As Olimpíadas de Pequim se foram neste domingo, e já deixam saudades nos amantes do esporte em todo o mundo. Mas vem mais por aí: em setembro, serão realizadas as Paraolimpíadas de Pequim. É o primeiro estágio de espera para a próxima edição da maior festa do esporte mundial: as Olimpíadas de Londres, a serem realizadas de 27 de julho a 12 de agosto de 2012.

Alguns grandes eventos esportivos que serão realizados no ciclo olímpico que se inicia:

  • 2009: Jogos do Mediterrâneo, de 26 de junho a 5 de julho (Pescara, Itália); Jogos da Lusofonia, de 11 a 19 de julho (Lisboa, Portugal)
  • 2010: Jogos Olímpicos de Inverno, de 12 a 28 de fevereiro (Vancouver, Canadá); Jogos Centro-Americanos e do Caribe, de 17 de julho a 1º de agosto (Mayagüez, Porto Rico); Jogos da Comunidade Britânica, de 3 a 14 de outubro (Nova Délhi, Índia); Jogos Asiáticos, de 12 a 27 de novembro (Cantão, China) (também serão realizados neste ano, provavelmente em novembro, os Jogos Sul-Americanos, em Medellín, Colômbia)
  • 2011: Jogos Africanos, de 15 a 27 de julho (Lusaca, Zâmbia); Jogos do Pacífico Sul, em setembro (Noumea, Nova Caledônia); Jogos Pan-Americanos, de 14 a 30 de outubro (Guadalajara, México)

24.8.08

Acabou!



Dezessete dias de emoções se encerram hoje, com o final da 29ª edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Muitas decisões, claro, marcaram o último dia de competições.

  • A mais tradicional prova do atletismo teve, pela primeira vez, um queniano como vencedor em uma Olimpíada. Samuel Wansiru conquistou o ouro na maratona, batendo o recorde olímpico da prova, com 2:06'32". A prata ficou com o marroquino Jaouab Gharib, e o bronze com o etíope Tsegay Kedebe. Dos três brasileiros que competiram, apenas um terminou a prova: José Teles de Souza, em 38º lugar.
  • Bem que o Brasil tentou, mas o tri olímpico masculino de vôlei ficou mesmo com os Estados Unidos, que dominaram a partida e venceram com sobras, por 3 a 1 (20/25, 25/22, 25/21 e 25/23). O resultado consagrou a grande fase do voleibol norte-americano (campeão da Liga Mundial deste ano), ganhador de três ouros e uma prata, na quadra e na praia. O vôlei brasileiro tem essa geração vitoriosa encerrada e passará por um período de renovação, visando os Jogos de Londres, em 2012.
  • Num jogo memorável, os Estados Unidos recuperaram o título masculino de basquete ao derrotar a Espanha por 118 a 107. O bronze ficou com a Argentina, que venceu a Lituânia por 87 a 75.
  • Na última decisão dos Jogos, a França venceu a Islândia por 28 a 23 e ficou com a inédita medalha de ouro no handebol masculino.

23.8.08

...e o ouro da redenção



Quatro anos depois da tempestade, a bonança. A seleção feminina de vôlei fez história ao conquistar o ouro olímpico, depois de derrotar os Estados Unidos por 3 a 1 (25/15, 18/25, 25/13 e 25/21), com uma campanha arrasadora e inquestionável - na final, as brasileiras perderam seu único set em todo o torneio.

O título coroa a superação das nossas meninas, que comeram o pão que o diabo amassou durante esse tempo todo, principalmente depois da derrota para a Rússia nas semifinais de 2004, em que perdeu o jogo por 3 a 2, depois de desperdiçar vários match-points ainda no quarto set. Nesse ciclo olímpico, a seleção ainda perdeu por 3 a 2 as finais do Mundial de 2006 (para as próprias russas, na sua única derrota na competição) e do Pan de 2007 (para a eterna rival Cuba, que nesta Olimpíada nem subiu ao pódio - o bronze ficou com a anfitriã China).

Esta Olimpíada marcou a força de nossas mulheres: no taekwondo, Natália Falavigna ganhou o bronze na categoria acima de 67 quilos.

22.8.08

O ouro da superação



Esta sexta-feira foi, sem dúvida, o melhor dia para o Brasil nestas Olimpíadas de Pequim. Mesmo sem ter começado bem, com a derrota, no vôlei de praia, da dupla Márcio/Fábio Luiz para os norte-americanos Dalhausser/Rogers por 2 a 1 (23/21, 17/21 e 15/4), e a conseqüente medalha de prata (o bronze ficou com outra dupla brasileira, Emanuel/Ricardo, que derrotou Renato "Geor"/Jorge "Gia", da Geórgia, por 2 a 0, parciais de 21/15 e 21/10).

Na quadra, o vôlei brasileiro se classificou a sua segunda final seguida, a quarta na história olímpica: derrotou a Itália, de virada, por 3 a 1 (19/25, 25/18, 25/21 e 25/22), e enfrentará na decisão a seleção dos Estados Unidos, única invicta até o momento e que se revela uma pedra no sapato do vôlei do Brasil.

No futebol, a Seleção de Dunga se redimiu em parte da vexaminosa derrota para a Argentina nas semifinais: goleou a Bélgica por 3 a 0, em Xangai, e ficou com a medalha de bronze.

Mas foi no Estádio Nacional de Pequim, onde são disputadas as provas de atletismo, que o Brasil mostrou seus melhores resultados. Nas duas provas do revezamento 4x100 metros, as equipes masculina e feminina do Brasil coneguiram dois quartos lugares. Colocação honrosa, levando-se em consideração que o nosso atletismo de velocidade está apenas engatinhando no feminino, e o masculino vive um período de renovação. Continuando um trabalho sério, vislumbra-se um grande futuro.

Mas o melhor do dia (e um dos melhores momentos do atletismo nacional em todos os tempos) foi o ouro de Maurren Higa Maggi no salto em distância, com 7,04 metros (apenas um centímetro à frente da segunda colocada, a russa Tatyana Lebedeva - a nigeriana Blessing Okagbare ficou com o bronze). O resultado histórico coroa o esforço da saltadora, que chegou a se aposentar do esporte em 2005, depois de cumprir suspensão por doping, que até hoje ela considera injusta. A decisão de voltar valeu a pena: Maurren Higa Maggi se tornou a primeira atleta brasileira a conquistar uma medalha de ouro olímpica de forma individual, depois de 76 anos de participação feminina brasileira em Jogos Olímpicos.

Curiosidade: Nélio Moura, treinador de Maurren, também treina o panamenho Irving Saladino, campeão olímpico masculino do salto em distância. Talvez ele seja o primeiro treinador da história olímpica a ter seus atletas campeões, numa mesma modalidade, tanto no masculino quanto no feminino...

21.8.08

Que pena, meninas!



Duas medalhas de prata foram ganhas pelo Brasil nesta quinta-feira. Uma delas teve gosto de festa: a conquistada pelos iatistas Robert Scheidt e Bruno Prada, na classe Star, coroando uma grande reação depois de um péssimo começo de campanha. É a quarta medalha olímpica de Scheidt e a primeira de Prada.

A segunda, porém, teve o gosto amargo que afirma que o metal poderia (e deveria) ter sido outro. Mais uma vez, o futebol feminino sucumbe à maior experiência dos Estados Unidos e fica com o vice-campeonato olímpico. Ainda que as brasileiras tenham buscado o gol o tempo todo, as norte-americanas tiveram mais cabeça e melhor condicionamento físico, o que foi decisivo para a vitória por 1 a 0, com um gol no primeiro tempo da prorrogação.

20.8.08

Bolt, o magnífico



Mais uma vez, o velocista jamaicano Usain Bolt surpreende. Nesta quarta-feira, tornou-se o primeiro a ganhar o ouro olímpico nos 100 e 200 metros rasos do atletismo depois de 24 anos (o último tinha sido o norte-americano Carl Lewis, em 1984), e o primeiro da história olímpica a fazê-lo batendo, em ambas as oportunidades, o recorde mundial. Nos 100, estabelecera a marca de 9"69; nos 200, bateu o recorde que durava 12 anos, com Michael Johnson, nos Jogos de Atlanta (19"32): Bolt correu em 19"30.

Agora, a meta de Bolt é levar a Jamaica ao título do revezamento 4x100 metros. Alguém duvida?

18.8.08

Esconder não adianta nada



O clima de velório que tomou conta das arquibancadas do Estádio Nacional de Pequim na manhã deste domingo, quando o corredor Liu Xiang - o grande ídolo do esporte chinês desde que conquistou o ouro nos 110 metros com barreiras nas Olimpíadas de Atenas - não conseguiu chegar à primeira barreira de uma eliminatória devido a uma contusão, mostra como a manipulação de toda uma população em busca da imposição de um mundo perfeito pode levar a conseqüências imprevisíveis.

Há três meses, na mesma época em que perdeu o recorde mundial da prova para o cubano Dayron Robles (que, desde então, tornou-se o grande favorito ao ouro na prova em Pequim), Liu sentiu uma contusão na parte posterior da coxa. O fato foi escondido durante esse tempo todo, presumivelmente porque não havia intenção de alarmar mais de um bilhão de pessoas que tinham a medalha de ouro do atleta como certa.

O fato é que essa frustração coletiva - dizem, comparável a cada chinês ter perdido um parente querido, ou coisa pior - é resultado de uma estratégia massacrante de marketing raramente vista. Imagine conquistar, de forma inesperada, uma medalha de ouro numa Olimpíada num esporte que não tem tradição alguma no seu país. Agora, imagine ter a responsabilidade de defender o título olímpico em sua própria nação, com todo tipo de pressão vindo de patrocinadores, torcedores e (principalmente) do governo. Agora, imagine sofrer uma contusão a poucos meses da disputa olímpica e lutar com todas as forças para poder competir. Na hora do vamos-ver... O corpo o trai diante de um estádio lotado só para vê-lo. Foi o que ocorreu com Liu Xiang no Estádio Nacional de Pequim.

É realmente uma situação difícil, certamente a mais dramática enfrentada por um atleta nesta Olimpíada. Mas foi um choque de realidade para os chineses. Serve para que eles aprendam que esconder os fatos, na maioria das vezes, não adianta nada.

Altos e baixos para as mulheres do Brasil



A segunda-feira começou bem para o esporte brasileiro. Logo de cara, veio a primeira medalha olímpica para o iatismo feminino brasileiro na História: o bronze para Fernanda Oliveira e Isabel Swan, na classe 470. As brasileiras venceram a última regata, acabando em terceiro lugar na classificação final.

Em seguida, o Brasil obteve vitória inédita no futebol feminino: 4 a 1 sobre a Alemanha, bicampeã mundial, com grande atuação de Marta e Cristiane. Na final, que será disputada na quinta-feira, o Brasil voltará a enfrentar os Estados Unidos, que derrotaram o Japão por 4 a 2. As duas equipes têm sede de revanche: o Brasil tem contas a acertar com as norte-americanas por causa da controvertida final de 2004, nos Jogos de Atenas. Já os Estados Unidos querem vingar a goleada de 4 a 0 sofrida para o Brasil, na semifinal do Mundial do ano passado, também na China.

Mas nem tudo foi festa para as mulheres do Brasil: na final do salto com vara, Fabiana Murer foi prejudicada pela organização do evento, que não levou todas as dez varas de salto a que ela tinha direito, como todas as outras finalistas. A saltadora se desconcentrou e, com isso, teve seu desempenho altamente comprometido. Falhou três vezes em uma de suas tentativas, foi eliminada e acabou em nono na classificação final. O ouro foi, mais uma vez, para a russa Yelena Isinbayeva, e com novo recorde mundial: 5,05 metros.

17.8.08

Talento eles têm. Só faltam ter cabeça



Três ginastas brasileiros fizeram finais na ginástica artística, neste domingo. Nenhum deles ganhou um lugar no pódio. Pode-se dizer que os nossos ginastas tiveram méritos em chegar a decisões, visto que o Brasil não tinha tradição alguma nesta modalidade até bem pouco tempo atrás. Porém, ficou um certo gosto amargo neste domingo: a sensação geral é que nosso desempenho poderia ter sido melhor.

Diego Hypolito era um dos favoritos ao ouro no solo masculino. Ele vinha bem em sua apresentação até o seu final, quando se desequilibrou e caiu no chão. Evidentemente, saiu desolado do solo, visto que fazia, até sua queda, uma apresentação irretocável. A falha, porém, foi-lhe fatal: Hypolito acabou em sexto lugar.

Jade Barbosa fez a final do salto, e talvez tenha sido a que tenha se saído melhor, pelo menos do ponto de vista de resultado moral, entre os brasileiros neste domingo: ela nada tinha a perder, por estar com uma fissura em uma das mãos, o que atrapalhava o apoio sobre a mesa durante o salto. Acabou na sétima colocação.

Daiane dos Santos, pela segunda Olimpíada seguida, fez a final feminina do solo. Líder do ranking nacional no aparelho, ela se tornou a grande esperança brasileira de medalha na ginástica por sua experiência, apesar do alto nível da disputa. Fez uma boa série, mas repetindo o erro de Atenas, em 2004, colocou o pé fora do solo. Não uma, mas duas vezes. Acabou, como seu correspondente masculino, na sexta posição.

Os fatos de hoje mostram que nossos ginastas têm potencial, mas falta-lhes trabalhar a parte psicológica. Numa competição importante como são as Olimpíadas, isso é fundamental. Que isso tenha servido de lição, para que tais erros não sejam repetidos no futuro.

16.8.08

O mais veloz do planeta. Agora, mais do que nunca



Na mais nobre prova do esporte mundial, confirmou-se a grande fase do velocista jamaicano Usain Bolt. A final dos 100 metros rasos do atletismo consagrou o recordista mundial, com o novo tempo de 9"69 (o recorde anterior também pertencia a Bolt, com 9"72).

A prova foi tão tranqüila que o velocista se deu o luxo de comemorar a marca pouco antes da linha de chegada - ou seja, o recorde poderia ser ainda maior. A prata ficou com Richard Thompson, de Trinidad e Tobago, com 9"89. O bronze foi ganho pelo norte-americano Walter Dix, que estabeleceu o tempo de 9"91.

O outro grande favorito da prova, o também jamaicano Asafa Powell, acabu apenas na sexta colocação. O atual campeão mundial, o norte-americano Tyson Gay, não conseguiu se classificar para a final.

15.8.08

E isso é apenas o começo...

Um momento histórico para o esporte brasileiro. Assim foi a medalha de ouro conquistada pelo nadador César Cielo Filho nos 50 metros estilo livre, a primeira da natação brasileira na história dos Jogos Olímpicos.

Confirmando o favoritismo que merecia ter, Cielo conquistou o ouro com sobras e todos os méritos, estabelecendo o recorde olímpico de 21"30, apenas dois centésimos acima do recorde mundial, do australiano Eamon Sullivan (que, nesta prova, acabou apenas na sexta colocação). Dois franceses completam o pódio: a prata ficou com Amaury Leveaux (21"45) e o bronze com Alain Bernard (21"49).

E pode ter sido apenas o começo. O nadador, de 21 anos, vinha chamando a atenção de muitos já no Pan do Rio, em 2007, quando ganhou o ouro na mesma prova, com um tempo melhor que o recorde olímpico de então. Muitos especialistas apontavam Cielo como o nadador brasileiro com mais chances de medalha nas Olimpíadas de Pequim, apesar de Thiago Pereira (que costuma concorrer com o fenomenal Michael Phelps, que hoje empatou com Mark Spitz como o nadador com maior número de ouros na natação em uma única Olimpíada) ser mais badalado. Não deu outra.

O desempenho de Cielo dá esperanças de um bom futuro para a natação brasileira. Os Jogos de Londres, em 2012, prometem ser ainda melhores.

14.8.08

Cielo é bronze



O nadador César Cielo Filho conquistou nesta quinta-feira a medalha de bronze nos 100 metros livres, numa prova emocionante no Cubo d'Água de Pequim. O brasileiro empatou com o norte-americano Jason Lezak, com 47"67. O ouro ficou com o francês Alain Bernard (47"21) e a prata com o australiano Eamon Sullivan (47"32).

É a primeira medalha olímpica brasileira na natação em oito anos, e a primeira individual em 12. Desde a era Borges/Scherer, o país não tinha uma geração tão talentosa na natação (Cielo é um dos favoritos nos 50 metros livres, sua especialidade).

Em tempo: Thiago Pereira vai disputar a final dos 200 metros medley. Os favoritos são os norte-americanos Michael Phelps e Ryan Lochte.

13.8.08

Imagem é tudo!


Quando vemos algo que nos encanta, às vezes não é exatamente o que parece. Algo que muitos de nós consideraríamos absurdo é encarado como perfeitamente normal por outros tantos. Essas duas frases vieram à cabeça de muitos quando dois aspectos da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Pequim vieram à tona, ao serem revelados pelos organizadores do evento.

Logo no comecinho da cerimônia, foram transmitidas imagens de fogos de artifícios em forma de pegadas de gigante, que estouravam em direção ao Estádio Nacional de Pequim. À primeira visita, admirava-se a perfeição do acontecido a serviço da beleza da festa. Porém, acaba de ser revelado que tratava-se de imagem pré-gravada, pois havia o temor que, na hora da verdade, fosse difícil filmar os efeitos com o uso de helicópteros, segundo os organizadores. Mas tem mais.

A certa altura da cerimônia, também no seu início, uma linda menininha cantava uma canção chamada Ode à Pátria. Lin Miaoke, 9 anos, encantou o mundo ao aparecer na tela da TV - mas, na verdade, ela apenas era dublada pela voz da verdadeira ganhadora de um concurso nacional organizado para escolher a melhor cantora para aparecer. Yang Peiyi tem 7 anos e uma bela voz, mas um defeito imperdoável para os rígidos padrões chineses: seus dentes eram desgrenhados demais. Então, juntou-se a voz de uma com a beleza de outra. Bingo! Era a imagem perfeita que a China queria mostrar ao mundo. As palavras do responsável não poderiam ser mais sintomáticas: "Precisávamos colocar os interesses do país em primeiro lugar". À pobre menininha de bela voz mas de imagem "inadequada", só restou o consolo de ter sua voz ouvida...

O episódio mostra como os chineses andam obcecados pela perfeição, principalmente no que diz respeito à sua imagem perante o mundo. Nenhum problema com isso, desde que não interfira na vida alheia, o que está longe de acontecer em território chinês. O complicado é que o fato tira toda a espontaneidade, o que se tornou corriqueiro em território chinês. Há décadas, devido ao regime comunista, tudo na China tem características estatais. Até a respiração dos cidadãos parece controlada pelo Estado. Resultado: um bilhão de pessoas perfeitamente manipuláveis ao gosto do Partido Comunista. O pior é que o fato de um país como a China, mercado emergente e poderoso com muitos negócios em todo o planeta, ter quase uma população de fantoches é encarado como normal...

12.8.08

Phelps, o maior de todos

Com o ouro conquistado nesta terça nos 200 metros nado peito - o brasileiro Kaio Márcio de Almeida terminou na sétima colocação - o norte-americano Michael Phelps consagrou-se como o maior campeão olímpico de todos os tempos. Afinal, esta foi a décima medalha de ouro ganha pelo nadador em três Olimpíadas disputadas. Sem exagero, Phelps já pode ser considerado o maior nadador da História. No momento, não há quem possa derrotá-lo nas piscinas.

Mais um bronze para o judô



O Brasil ganhou nesta terça-feira sua terceira medalha nas Olimpíadas, novamente de bronze, e de novo no judô. Desta vez foi (na categoria até 81 quilos) Tiago Camilo, de quem se esperava um pouco mais, por ser o atual campeão mundial em sua categoria - pelo menos o judoca que o eliminou (o alemão Ole Bischof) ganhou a medalha de ouro.

O judoca brasileiro, que tinha conquistado a prata nos Jogos de Sydney, teve um bom aproveitamento. Foi prejudicado por um problema em um dos dedos das mãos durante sua caminhada, além de outro no braço durante a disputa do bronze. Portanto, a medalha de bronze pode ser encarada como uma vitória.

11.8.08

Uma medalha para a História



Pela primeira vez na história das Olimpíadas, uma atleta brasileira ganha uma medalha de forma individual. A judoca brasiliense Ketleyn Quadros, 21 anos, conquistou o bronze na categoria até 57 quilos. Além dela, Leandro Guilheiro bisou o bronze de Atenas, na categoria até 73 quilos.

Estas foram as duas primeiras medalhas do Brasil nas Olimpíadas de Pequim. Com isso, o judô empata com o iatismo como a modalidade que mais deu medalhas ao esporte brasileiro em Jogos Olímpicos (cada esporte deu 14 medalhas), ultrapassando o atletismo, que deu 13 medalhas.

10.8.08

A ginástica brasileira aproveita o seu auge



Os Jogos Olímpicos de Pequim apenas confirmam o que se sabia: a ginástica artística do Brasil está no seu auge. No feminino, as nossas ginastas se classificaram à final por equipes. Além disso, três delas também foram a decisões: Ana Cláudia Silva e Jade Barbosa estão classificadas à final do individual geral (além disso, Jade foi à decisão do salto sobre a mesa), e Daiane dos Santos, pela segunda Olimpíada seguida, foi à final do solo. No masculino, em sua primeira Olimpíada, Diego Hypolito foi à final do solo como um dos grandes favoritos à medalha de ouro.

Isso é resultado de um amplo investimento que já dura cerca de uma década, com a contratação de profissionais estrangeiros como o técnico ucraniano Oleg Ostapenko. Até 1996, nossos ginastas tinham participações discretas em Olimpíadas. Em 2000, nos Jogos de Sydney, pela primeira vez levamos duas ginastas. Em 2004, nos Jogos de Atenas, pela primeira vez levamos uma equipe inteira, no feminino (com a adição de Mosiah Rodrigues no masculino). Agora, em 2008, pela primeira vez a equipe foi à final no feminino e temos um ginasta com chances reais de medalha no masculino.

Esse é um investimento que tem que continuar, mesmo porque há o risco de descontinuação da seleção permanente (concentrada em Curitiba) com a iminente troca de comando da CBG. Se a seleção for extinta, corremos o risco de ficar para trás. O esporte, em cada modalidade, vive de ídolos, e os temos cada vez mais na ginástica. Com isso, mais crianças e jovens se inspiram para iniciar uma carreira esportiva que, com força e dedicação, promete ser vitoriosa.

9.8.08

Meninas do Brasil começam saga com contrastes

  • No primeiro dia oficial de competições, o desempenho dos atletas brasileiros (notadamente do sexo feminino) foi marcado por vitórias e derrotas. O vôlei, por exemplo, não teve dificuldades para vencer a fraca Argélia por 3 a 0 (25/11, 25/11 e 25/10). O vôlei de praia também começou bem: a recém-formada dupla Ana Paula/Larissa sentiu um pouco o desentrosamento, mas venceu as brasileiras naturalizadas georgianas Cris "Saka"/Andressa "Rtvelo", de virada, por 2 a 1 (23/25, 21/17 e 15/5). Na sua segunda partida, o futebol também venceu, desta feita pela primeira vez, mesmo sem jogar bem: 2 a 1 na Coréia do Norte, alcançando a liderança do Grupo F.
    Mas não houve apenas vitórias: o basquete jogou mal e perdeu para a Coréia do Sul por 68 a 62, após prorrogação (no tempo normal, empate em 55 a 55). Ao contrário, porém, o handebol teve boa atuação, mesmo perdendo para a Alemanha por 24 a 22.
  • Entre os homens, duas classificações importantes para finais: na ginástica artística, Diego Hypolito obteve a maior nota da fase classificatória e obteve vaga na final do solo. Na natação, Thiago Pereira se classificou à decisão dos 400 metros medley. Em outra eliminatória, o norte-americano Michael Phelps, que quer conquistar oito medalhas de ouro nos Jogos, bateu o recorde olímpico da prova (4'07''82).
    No vôlei de praia, a dupla Emanuel/Ricardo, que tenta o bicampeonato, também estreou com vitória: 2 a 0 nos angolanos Fernandes/Morais (21/8 e 21/13).

8.8.08

E tá rolando a festa!


Numa cerimônia grandiosa, foram abertos nesta sexta-feira os Jogos da XXIX Olimpíada da Era Moderna. A cerimônia de abertura emocionou bilhões de pessoas em todo o planeta ao mostrar fatos históricos, culturais e científicos da sociedade chinesa.

As 204 delegações participantes (Brunei não se inscreveu a tempo) desfilaram pelo estádio, saudadas pela multidão, durante duas das cerca de quatro horas da cerimônia. O ponto alto foi o acendimento da pira olímpica pelo ex-ginasta Li Ning, depois de "flutuar" acima das arquibancadas do Estádio Nacional, numa das mais belas e surpreendentes cenas do evento.

7.8.08

Febre de Olimpíada


Há pessoas que sofrem da famosa "febre de Copa do Mundo". Durante um mês, elas não falam de outra coisa, vivem e respiram futebol o tempo todo. Como eu sou do contra, não sofro desse mal, apesar de gostar muito do Mundial de futebol. Apenas sofro da famosa febre de Olimpíadas. E essa febre, também quadrienal, terá mais um capítulo a partir de amanhã e vai até o dia 24.

Os Jogos Olímpicos são o que há de melhor para um amante de esportes como eu. Afinal, são 205 países, um monte de modalidades esportivas simultâneas e isso tudo em apenas 17 dias. Ou seja, muito mais neurótico e divertido do que uma Copa do Mundo.

Durante os Jogos, deverei varar madrugadas adentro acompanhando as competições pela TV e postando neste blog que é dedicado a cobrir as grandes competições esportivas, freqüentemente citado pela página 2 do caderno de esportes do GLOBO. O Olimpismo conta com vocês!

6.8.08

Falta pouco! Estão prontos? Pra aquecer...

...mais rapidinhas olímpicas:

  • Faltam dois dias para a cerimônia de abertura, mas no futebol as Olimpíadas já começaram. O Torneio feminino teve seu início nesta quarta-feira. Ironicamente, a grande partida da primeira rodada, a reedição da final do Mundial entre Alemanha e Brasil, também foi o único jogo que terminou empatado em 0 a 0. Apesar disso, a partida teve vários momentos de brilhantismo. Na outra partida do Grupo F da competição, a Coréia do Norte (próxima adversária da Seleção) derrotou a Nigéria por 1 a 0 e lidera a chave. A grande surpresa da rodada foi no outro clássico da rodada: a derrota dos Estados Unidos, atuais campeões olímpicos, para a Noruega por 2 a 0.
  • Bem que Juliana tentou, mas não deu. A jogadora, atual campeã do Circuito Mundial e pan-americana de vôlei de praia, não conseguiu se recuperar da contusão sofrida há quase dois meses e desistiu de competir. A parceira Larissa chamou Ana Paula para substituí-la.
  • Mais uma baixa na delegação brasileira: a judoca Érika Miranda, da categoria até 52 quilos, também não conseguiu se recuperar de contusão, obtida durante treinamento ainda no Brasil. Ela não será substituída, deixando indignada sua reserva, Andressa Fernandes, que se diz pronta para competir, mas não foi chamada pela CBJ.

Atualização: A CBJ mudou de idéia e decidiu convocar a reserva Andressa Fernandes para a vaga de Érika Miranda.

5.8.08

Jogador da seleção masculina de handebol é cortado por 'doping'


Antes mesmo da estréia nas Olimpíadas de Pequim (contra a França, no dia 10), a seleção brasileira masculina de handebol já sofreu sua primeira baixa: o pivô Jaqson, integrante da equipe bicampeã pan-americana no Rio, foi cortado por ter sido flagrado no exame antidoping. O nome da substância proibida não foi revelado. O pivô Alexandre Rodrigues foi convocado para o seu lugar.

O flagrante ocorreu graças à atitude da CBHb (Confederação Brasileira de Handebol) que colocou à disposição do COB todos os seus atletas para fazer exames antidoping, segundo declarou o seu presidente, Manoel Luiz Oliveira.

3.8.08

Qual é a sua expectativa para os Jogos Olímpicos?


Estamos no último final de semana antes do início das maiores Olimpíadas de todos os tempos. Muitos não dão importância ao fato, outros o rejeitam, mas outros tantos estão ansiosos para a chegada da sexta-feira, dia da cerimônia de abertura, mais grandiosa a cada versão (dois dias antes, nesta quarta-feira, começarão os torneios de futebol). Alguns mais fanáticos prometem varar madrugadas adentro, em frente à tela da TV, dispostos a não perder nenhum lance ao vivo.

O Olimpismo, criado durante as expectativas para os Jogos Pan-Americanos de 2007, promete levar a seus leitores o máximo possível da emoção sentida durante os Jogos Olímpicos. Cada esforço, cada medalha, cada gota de suor, nada escapará a nossos olhos atentos. A maior Olimpíada de todos os tempos pede a melhor cobertura possível. E os leitores poderão interagir com o Olimpismo. Qual é a sua expectativa para os Jogos Olímpicos de Pequim? Qual país irá ganhar o maior número de medalhas? Qual será o desempenho dos atletas brasileiros? Vamos aguardar e, se possível, nos emocionar. Aguardem. E colaborem!