1.8.16

Depois do bombardeio, agora é a nossa vez

Quando o Rio de Janeiro foi escolhido cidade-sede dos Jogos da XXXI Olimpíada, em 2 de outubro de 2016, já havia cobranças de toda parte do mundo para que entregássemos, pelo menos, uma Olimpíada digna. Seis anos e dez meses se passaram e, mesmo que aos trancos e barrancos, estamos quase lá. Nesta sexta-feira, será realizada a cerimônia de abertura no Estádio do Maracanã (dois dias antes, começarão os torneios de futebol).
 
Mas ninguém disse que seria fácil. Além do questionamento natural acerca da capacidade de uma cidade sul-americana sediar a maior festa do esporte mundial pela primeira vez na História (sendo a primeira latino-americana em 48 anos), tivemos inúmeros problemas pelo caminho. Uma crise econômica e política sem precedentes atinge o Brasil há pelo menos um ano e meio (pelo menos ela consolidou a presente força de nossas instituições, moldada em três décadas de redemocratização). Além disso, muitas promessas acabaram não sendo cumpridas (principalmente na parte ambiental, com o fracassado plano de despoluição da Baía de Guanabara). A abertura da Vila Olímpica teve prédios ainda inacabados e com obras feitas de última hora. Como se isso não fosse o bastante, a ameaça terrorista paira sobre o mundo e, como não poderia deixar de ser, os Jogos Olímpicos estão em certo clima de tensão.
 
Mas muita coisa boa também aconteceu durante os preparativos cariocas. Apesar de alguns atrasos, as obras de construção das estruturas permanentes e provisórias estão devidamente finalizadas, com arenas modernas que receberão os maiores atletas do planeta. A malha viária do Rio progrediu, com a tão sonhada extensão do metrô até a Barra da Tijuca, que será o grande centro dos Jogos. O Centro da cidade pulsa, renovado, em sua efervescência cultural. A poucos dias do início de uma nova Olimpíada, o Rio parece renascer. Com suas imperfeições, é verdade, mas fácil não seria.
 
Muitos dizem que um país como o nosso não poderia receber algo tão importante por causa da falta de estrutura. Mas já que essa responsabilidade nos foi dada, resta-nos fazer o melhor possível.

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