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10.4.14

Atrasos da Rio 2016 preocupam e COI decide intervir

Foto: Divulgação
Depois de um bom começo, em que chegou a empolgar por suas ações de evolução nos preparativos (principalmente no que se refere à infraestrutura), a organização dos Jogos Olímpicos de 2016 vem recebendo críticas de todos os lados. As mais contundentes vieram do presidente da Associação das Federações Internacionais Olímpicas de Verão, o italiano Francesco Ricci Bitti, que afirmou que o Rio tem as preparações para sediar uma Olimpíada mais atrasadas em 20 anos, chegando a ventilar a possibilidade de transferir algumas modalidades para outras grandes cidades brasileiras caso a situação não mude em alguns meses. O presidente do Comitê Olímpico Internacional, o alemão Thomas Bach, já havia alertado em visita ao Rio, em janeiro, que não havia mais tempo a perder.
 
De fato, o Rio anda bem atrasado na construção dos locais de disputa, em comparação com as obras de infraestrutura da cidade. Alguns locais de prova estão ainda na licitação, e o Complexo Esportivo de Deodoro ainda não saiu do papel. O Centro Olímpico de Treinamento (foto acima), no bairro de Jacarepaguá, que será o grande centro de disputas das modalidades olímpicas, recentemente teve uma greve de seus funcionários de construção - no momento, suspensa. A situação se agravou de tal forma que o próprio COI anunciou que acompanhará mais de perto os preparativos, com visitas regulares à cidade-sede olímpica.
 
Tais atrasos não são em nada surpreendentes, quando lembramos dos preparativos para os Jogos Pan-Americanos de 2007 - quando a construção do Estádio Olímpico João Havelange e a reforma do Maracanãzinho foram concluídas quase em cima da hora - e testemunhamos o sufoco que ora passa a organização da Copa do Mundo de 2014. Mas, infelizmente, vemos que isso é recorrente em eventos organizados no Brasil - e esperava-se que, pelo menos na Olimpíada de 2016, fosse um pouco diferente.
 
Pode-se culpar a nossa conhecida leniência à lentidão e a cultura do "jeitinho" para qualquer coisa, mas a velha politicagem também entra nessa roda. Os dirigentes que reclamam da organização olímpica de 2016 dizem que o Comitê Organizador está até fazendo sua parte, mas queixam-se da falta de apoio governamental. Compreensível: o governo federal patina nos índices de popularidade e na séria ameaça de crise financeira (a única coisa capaz de derrubar qualquer governo); o estadual se desgasta no combate à criminalidade e no período de transição governamental; e o municipal, o que poderia mais fazer nessa altura (visto a ser o único não envolvido nas eleições deste ano), escorrega na conhecida falta de modéstia do seu chefe executivo. Dessa forma, fica difícil avançar consideravelmente, embora ainda haja tempo de reagir. A intervenção do COI pode ter sido um primeiro passo para que as coisas, enfim, acelerem.

4.9.13

O basquete brasileiro ainda tem muito o que evoluir

Foto: AP
Mesmo com as más atuações nos torneios preparatórios - em que sofria derrotas convincentes e vencia sem convencer -, não se imaginaria que a Seleção Brasileira de basquete fosse passar um vexame tão grande como acabou de passar na disputa da Copa América, em Caracas, na Venezuela. Com quatro inacreditáveis derrotas em quatro partidas (72 a 65 para Porto Rico, 91 a 62 para o Canadá, 79 a 73 para o Uruguai e 78 a 76 para a Jamaica), a equipe treinada por Rubén Magnano conseguiu fazer sua pior campanha em uma competição internacional, talvez, em todos os tempos. Foi eliminada na primeira fase da competição e, agora, depende de um convite da FIBA para não ficar fora do Mundial pela primeira vez em sua história.
 
Pode-se argumentar que a falta dos jogadores que atuam na NBA acarretou tal campanha pífia. Apenas em parte isso é verdade. Apesar da evolução dos últimos anos, em que havia o risco de sequer ter campeonato nacional, o fato é que a CBB não tem um planejamento que o nosso basquete merece. O que vemos agora é apenas a consequência de décadas de má gestão, aquela que nos possibilitou a ausência de três Olimpíadas seguidas e pode, agora, nos barrar de um Campeonato Mundial.

10.6.13

A interdição do Engenhão e o que pode estar por trás

Foto: AFP
Em março último, a prefeitura do Rio de Janeiro anunciou a interdição, por tempo indeterminado, do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, onde está prevista a realização das provas de pista e campo do atletismo nos Jogos Olímpicos de 2016. Foram alegados problemas na estrutura da cobertura do estádio, que poderia desabar em caso de ventania de pouco mais de 60 km/h. Na última semana, o prefeito carioca Eduardo Paes disse que o estádio ficará fechado por cerca de um ano e meio para a reforma da cobertura. Mas ainda há as obras de reforma para a próxima Olimpíada, que ainda não foram decididas se serão ou não feitas enquanto o Engenhão estiver fechado. Inclusive, é cogitado que o estádio ficará fechado por ainda mais tempo caso tais obras sejam realmente levadas a cabo, reabrindo apenas em fins de 2015.

Porém, muita coisa ainda pode estar por trás desse estado de coisas. O estádio do Maracanã, por exemplo, estava fechado para obras (visando a Copa do Mundo de 2014 e, embora em menor grau, a própria Olimpíada de 2016) desde setembro de 2010, e o Engenhão estava em uso constante durante esse período exatamente para substituí-lo, sediando a maior parte dos jogos dos times do Rio nos Campeonatos Brasileiro e Carioca. Não se sabe se por coincidência ou não (embora, na opinião deste que vos escreve, coincidências não existam), o Engenhão foi interditado exatamente quando o Maracanã estava quase pronto. Desde então, Botafogo, Flamengo e Fluminense vêm mandando suas partidas em estádios de cidades do interior fluminense e mesmo em outros estados - o Vasco da Gama tem o estádio de São Januário. O Estádio Jornalista Mário Filho, que sediará as finais da Copa das Confederações deste ano (no próximo dia 30) e da Copa do Mundo do ano que vem (em 13 de julho de 2014), reaberto oficialmente com um amistoso entre Brasil e Inglaterra, no último dia 2 (mesmo ainda com obras em seu entorno), será cuidado por um consórcio que, segundo exigem as regras do edital, terá que assinar com, pelo menos, dois grandes clubes do Rio para que eles possam mandar suas partidas por lá. Como se sabe, o Botafogo arrendava o Engenhão desde alguns meses depois da inauguração do estádio, em 2007 - e poderia ser mais um a negociar com o consórcio, que vem enfrentando dificuldades em fazer acordo com a dupla Fla-Flu, assustada com as exigências.

Some-se a isso o fato de o estádio ter sido construído durante os dois últimos mandatos (2001-2009) do então prefeito Cesar Maia, notório inimigo político do atual prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes. Muitos veem nessa interdição uma chance de Paes detonar publicamente o seu antecessor, que fez o Engenhão construindo-o com um custo muito maior que o previsto (de 60 milhões para 380 milhões de reais). Enfim, é muito mais que simplesmente um estádio interditado. Existem vários interesses em jogo nessa história toda.

15.9.12

Entre 2012 e 2016, atenção, expectativa, torcida... e muita cobrança

Encerrados os Jogos da XXX Olimpíada e os XIV Jogos Paralímpicos em Londres, pode-se dizer que a participação brasileira poderia ser melhor nestes primeiros e consolidou sua evolução nestes últimos. Enquanto nos Jogos Olímpicos o Brasil não correspondeu tanto às expectativas levando-se em consideração os altos investimentos do Ministério do Esporte e do Comitê Olímpico Brasileiro, nos Paralímpicos o país dá aos espectadores um grande otimismo para a participação na próxima edição, daqui a quatro anos, quando será o país-sede.

Os atletas olímpicos brasileiros, se não tiveram uma participação considerada pífia (afinal, apesar dos pesares, eles trouxeram o maior número de medalhas em uma edição olímpica: dezessete, três delas de ouro), poderiam ter feito melhor papel, isso é fato. Tivemos excelentes desempenhos em Londres, como a boa fase do judô feminino (que trouxe metade das medalhas brasileiras na modalidade, incluindo a primeira de ouro), do boxe (que trouxe logo três medalhas, o triplo da melhor campanha do país, 44 anos atrás) e do ginasta Arthur Zanetti (primeiro em seu esporte a ganhar uma medalha olímpica entre os brasileiros, o ouro nas argolas). Além disso, vieram o bicampeonato do vôlei feminino e a primeira medalha no pentatlo moderno, modalidade pouco praticada no Brasil. Mas tivemos frustrações em Londres, como os parcos desempenhos em modalidades como atletismo (sem trazer medalhas depois de 20 anos), natação (apenas duas medalhas, uma prata e um bronze, e poucas finais, nenhuma entre as mulheres) e futebol (uma prata entre os homens, sem ver a cor da bola na final contra o México - por sinal, a única seleção ao menos tradicional que os comandados de Mano Menezes enfrentaram nesta Olimpíada -, e a eliminação nas quartas da cada vez mais decadente Seleção feminina, o que reflete a falta de investimentos no futebol feminino no Brasil).

Os atletas paralímpicos, por outro lado, confirmaram a evolução que vem de longo tempo. Apesar de terem conquistado cinco medalhas a menos que em Pequim (42 contra 47), os paratletas brasileiros superaram em cinco ouros seu desempenho de quatro anos atrás (21 contra 16). Os valores individuais continuaram brilhando (como o nadador Daniel Dias e os velocistas Terezinha Guilhermina e Alan Fonteles, entre outros), mas várias modalidades coletivas também tiveram seu valor, como a tricampeã seleção de futebol de cinco e a vice-campeã seleção masculina de golbol. O país conseguiu sua meta de terminar entre os sete primeiros colocados no quadro de medalhas em Londres, o que dá a esperança em terminar entre os cinco primeiros daqui a quatro anos, em casa. Só tem que se preocupar com a renovação dos valores individuais, já que na natação, por exemplo, apenas Daniel Dias e André Brasil - que conquistaram todos os ouros brasileiros na modalidade - tiveram participações de destaque.

No mais, foram duas campanhas bem distintas, é o que se percebe. Se nos Jogos Paralímpicos o Brasil acabou em sétimo lugar (21 ouros, 14 pratas e oito bronzes), nos Olímpicos terminara em 22º (três ouros, cinco pratas e nove bronzes). Pouco surpreendente levando-se em consideração a média de ouros olímpicos conquistados pelo país nas mais recentes edições (os Jogos de 2004, em Atenas, foram a exceção, com o recorde de cinco ouros). Mas ainda é pouco se levarmos em conta que o Brasil sediará a próxima edição olímpica, em 2016. Nos últimos ciclos olímpicos, o país-sede da Olimpíada seguinte costuma fazer boas campanhas - se bem que foram países de tradição esportiva consolidada, como os Estados Unidos em 1992 (37 ouros), a Austrália em 1996 (nove ouros), a Grécia em 2000 (quatro ouros), a China em 2004 (32 ouros) e a Grã-Bretanha em 2008 (19 ouros). A última vez em que o país-sede da Olimpíada seguinte fez uma campanha discreta foi em 1988, com a Espanha: em Seul, os atletas espanhóis conquistaram apenas um ouro, uma prata e dois bronzes (para efeito de comparação, o Brasil ganhou uma prata e um bronze a mais), terminando em 25º lugar no quadro de medalhas. Em compensação, nos Jogos de Barcelona, em 1992, os anfitriões aproveitaram bastante o fator casa: 13 ouros, sete pratas e dois bronzes, com o sexto lugar na classificação final. Nos Jogos seguintes, os de 1996, em Atlanta, a Espanha manteve o pique: cinco ouros, seis pratas e seis bronzes, 13º lugar no final.

O fato de ser o anfitrião, com a torcida a favor, pode ser um trunfo brasileiro no Rio: basta lembrar da campanha nos Jogos Pan-Americanos de 2007. O nível técnico certamente não serve de parâmetro, mas o retrospecto recente conta muito. O que muitos temem, porém, é o excesso de expectativas sobre os atletas, que podem decepcionar muitos se não conquistarem a medalha de ouro. A campanha olímpica brasileira em Londres recebeu críticas por não dar o retorno dos altos investimentos do Governo Federal, do Ministério do Esporte, do Comitê Olímpico Brasileiro e de várias empresas, com direito a aluguel do Crystal Palace para aclimatação e treinamento. Agora, o governo da presidente Dilma Rousseff lançou um plano de investimentos de um bilhão de reais visando colocar o país entre os dez primeiros no quadro de medalhas dos próximos Jogos Olímpicos, e entre os cinco nos Paralímpicos. Sempre há temores quando dinheiro público está sendo investido em algo que dificilmente dará o retorno esperado, ainda mais levando-se em conta a larga história de desvio de dinheiro para meios ilícitos. Fiquemos de olho, portanto.

24.7.12

A Sports Illustrated e o realismo maior do que o rei

Como costuma acontecer em semanas que antecedem cada edição de Jogos Olímpicos, a revista esportiva norte-americana Sports Illustrated fez sua tradicional previsão de qual será o quadro de medalhas na Olimpíada de Londres, que terá seu início oficialmente nesta sexta-feira. Os Estados Unidos, evidentemente, ficarão no primeiro pelotão no quadro, com 42 ouros, 26 pratas e 31 bronzes - a China, contudo, ficaria em primeiro no quadro levando-se em consideração o número de ouros, com o de pratas sendo o primeiro critério de desempate (42 ouros, 30 pratas e 25 bronzes). Ainda segundo a revista, o Brasil terá o melhor desempenho de sua história, com 8 ouros, 4 pratas e 13 bronzes, 25 medalhas no total - melhor até mesmo que o previsto pelo Comitê Olímpico Brasileiro, que prevê o ganho de 15 medalhas, três delas de ouro. Até hoje este número de medalhas ganhas é o melhor da história olímpica brasileira, obtida nos Jogos de Atlanta, em 1996 (em número de ouros, contudo, o melhor é o de cinco nos Jogos de Atenas, em 2004).

Tais previsões podem representar o sentimento que cada um tem em relação a cada modalidade - elas foram feitas por especialistas em cada área. Mas elas podem não refletir o que ocorrerá em Londres, pois o esporte, no geral, não obedece a critérios lógicos. Pelo menos um dos erros da publicação foi gritante: o de que a nadadora Ana Marcela Cunha ganhará o bronze na maratona aquática. Mas ela não se classificou para esta Olimpíada - a única representante do Brasil será Poliana Okimoto, com a vaga conquistada no Mundial do ano passado. Marcela foi campeã do mundo, mas numa distância que não é olímpica.

Previsões podem ser boas para incentivar a torcida e o público consumidor - mas o que realmente vale será o que irá ocorrer a partir de sábado, quando as medalhas começarão a ser distribuídas aos atletas. Ou seja, elas certamente serão esquecidas assim que as Olimpíadas tiverem início.

20.7.12

Iziane é cortada da seleção feminina de basquete

Foto: AP
A uma semana do início dos Jogos Olímpicos de Londres e a oito dias da estreia contra a França, a seleção feminina de basquete do Brasil vive momentos de crise. Na madrugada de quinta para sexta, no horário brasileiro, a CBB anunciou o corte, por indisciplina, da ala Iziane. O anúncio foi na cidade francesa de Lille, onde a equipe está hospedada para participar de um torneio preparatório contra as próprias francesas, a Austrália e a China (a estreia brasileira foi hoje e a França venceu por 67 a 57). Como o corte não foi por motivos médicos, a comissão técnica não terá o direito de chamar outra atleta para o seu lugar, e a seleção terá que disputar as Olimpíadas com onze jogadoras.

Conhecido tanto por seu talento dentro das quadras quanto pela disposição em criar polêmicas fora delas, Iziane perdeu sua segunda oportunidade consecutiva de disputar uma Olimpíada por problemas extraquadra (disputou só os Jogos de Atenas, em 2004, aos 22 anos de idade, e ficou com uma média de 15 pontos por jogo com a equipe que acabou em quarto lugar). Em 2008, ela se desentendeu com o então treinador Paulo Bassul durante a partida em que o Brasil perdeu para a Bielorrússia, pelas quartas de final do Pré-Olímpico Feminino - se vencesse, garantiria já sua classificação; como perdeu, o Brasil teve que jogar mais duas partidas para, enfim, obter sua vaga. Classificada para os Jogos de Pequim, a equipe não levou a ala. Agora, um caso de indisciplina na concentração impede que Iziane dispute sua segunda Olimpíada. Será difícil que ela dispute os Jogos do Rio, em 2016, quando terá 34 anos.

De acordo com o blog Bala na Cesta, de Fábio Balassiano, pode até ser que as onze atletas remanescentes façam o grupo se unir para a disputa olímpica. Mas a preparação acidentada da equipe, segundo o texto, não permite sonhar com uma boa campanha em Londres. O lado psicológico das jogadoras está certamente abalado pelos acontecimentos, e o grupo tem que tirar todas as suas forças para se superar na disputa. É mais um capítulo da péssima fase que vive o basquete feminino do Brasil, quatro anos depois da eliminação na primeira fase em Pequim, e dois anos depois da vexatória campanha no Mundial disputado na República Tcheca. Curiosamente, ao mesmo tempo em que a equipe masculina, que na década passada viveu uma fase até pior do que a feminina vive hoje, cresce no conceito de quem gosta do basquete e vive dele.

8.6.12

Aumento da cobrança do COI, nada mais natural

Em visita da comitiva do Comitê Olímpico Internacional nesta semana, a presidente da comissão de coordenação dos Jogos da XXXI Olimpíada e dos XV Jogos Paralímpicos, Nawal el-Moutawakel, demonstrou certa preocupação com os prazos de cumprimento das obras até 2016 - principalmente em dois pontos fundamentais para a realização dos Jogos: o Parque Olímpico da Barra da Tijuca e o Centro Olímpico de Deodoro, considerados os dois centros mais importantes. É a primeira cobrança do COI aos organizadores cariocas desde outubro de 2009 - mas está longe de ser surpreendente.

Os Jogos Olímpicos de Londres, os últimos antes dos do Rio, terão seu início no final do mês que vem, em 27 de julho. Em 12 de agosto, será realizada a cerimônia de encerramento dos Jogos da XXX Olimpíada e, evidentemente, todos os olhos dos amantes do esporte no mundo estarão voltados para o Rio de Janeiro, onde as Olimpíadas serão disputadas, de 5 a 21 de agosto de 2016. Nada mais natural, portanto, que a cobrança aumente por parte do COI. E que os organizadores cariocas tenham que pôr a mão na massa.

Por outro lado, o fato mostra a seriedade com que o Comitê Olímpico Internacional trata seu principal produto, em contraponto com o desleixo da FIFA durante longo tempo com o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014. Desde o começo, o COI monitora tudo o que for possível, com uma comissão distinta da que acompanha os preparativos para a Olimpíada de 2012, de forma que não haja atrasos. O certo é que uma nova comissão acompanhará desde já os preparativos para as Olimpíadas de 2020, poucos dias depois de 7 de setembro do ano que vem, quando a sede dos Jogos da XXXII Olimpíada for escolhida. Já a FIFA só pareceu ter despertado para os atrasos nos preparativos para a próxima Copa do Mundo lá por julho de 2010, quando o Mundial da África do Sul estava em seu final. Resultado: obras com cerca da metade do seu caminho (em algumas cidades, nem isso) faltando pouco mais de dois anos para o início do Mundial...

2.12.11

Que isso tudo nos sirva de alerta



Há mais de um ano (como podemos relembrar aqui), a Grécia vive uma crise financeira das mais sérias, correndo o grande risco de ter que deixar a Zona do Euro. Um dos fatores que podem ter acelerado o alto endividamento grego foram os enormes gastos públicos com a organização dos Jogos Olímpicos de 2004, e o legado nulo que eles deixaram à população ateniense, somando-se a uma série de circunstâncias que acabaram por ser nefastas à economia do país.


Como o Olimpismo lembra, os brasileiros temos que tomar cuidado com os gastos e a ameaça de superfaturamento, tanto das Olimpíadas de 2016, quanto (principalmente) da Copa do Mundo de 2014. Este texto, publicado pela BBC Brasil, explica melhor a situação ora vivida pelos gregos e nos serve de importante aviso para que fiscalizemos nossos organizadores e autoridades responsáveis.

26.1.11

Uma voz que deve ser sempre ouvida

Campeão olímpico dos 800 metros rasos do atletismo em 1984 e vice da mesma prova em 1988, Joaquim Cruz não se desliga dos problemas organizacionais no esporte brasileiro, mesmo morando há décadas nos Estados Unidos, onde trabalha para o Comitê Paraolímpico local. Em Christchurch, na Nova Zelândia, onde acompanha o Mundial Paraolímpico de Atletismo, Cruz declarou em entrevista que urge o Brasil adotar um política que integre o esporte à educação, para que o país possa colher resultados não apenas em 2016, mas também nas Olimpíadas seguintes.

O ex-corredor está coberto de razão. Aliás, nem é necessário ser um expoente esportivo para verificar que há um vácuo no esporte brasileiro, a cinco anos de sediar a mais importante competição esportiva mundial. Hoje pouquíssimas escolas introduzem o ensino de educação física de alto nível no currículo. E isso é um problema, pois priva aos estudantes a chance de praticar modalidades esportivas além do futebol. É verdade que existem projetos exemplares de prática esportiva em localidades carentes, mas isso ainda é insuficiente para criarmos uma cultura esportiva de massa no Brasil.

As Olimpíadas de 2016 devem ser encaradas pelo Brasil não como o objetivo maior, mas como um novo começo para o esporte brasileiro. O início de uma era de crescimento para nossas modalidades esportivas, que devem ter suas sementes plantadas desde já.

27.8.09

COI garantiu maior leque de opções para a TV em 2016

Foi informado que, na batalha entre as emissoras abertas da TV brasileira para a transmissão das Olimpíadas de 2016 (cuja sede será definida em 2 de outubro deste ano, entre Chicago, Madri, Rio de Janeiro e Tóquio), o Comitê Olímpico Internacional tomou uma decisão salomônica: três emissoras abertas (Bandeirantes, Globo e Record) transmitirão o evento daqui a sete anos. Uma decisão acertada, na opinião do Olimpismo - haverá o maior leque de opções para a grande parte da população brasileira desde 1996, quando cinco emissoras abertas (as três citadas, além do SBT e da extinta Manchete) levaram imagens ao vivo de Atlanta.

Desde as Olimpíadas de 2000, em Sydney, havia o direito à exclusividade dado à emissora que pagasse mais pelos direitos - a Globo os conseguia, repassando-os à Band e às emissoras de TV por assinatura (geralmente BandSports, ESPN Brasil e Sportv). Foi assim também em 2004 (Atenas) e 2008 (Pequim). Para os Jogos de 2012, que serão em Londres, a Record conseguiu os direitos (extensivos às Olimpíadas de Inverno de 2010, em Vancouver) e anunciou que será a única emissora a transmitir as Olimpíadas em sinal aberto, deixando a Globo (que transmitia ininterruptamente desde 1972) e a Band (que o fazia desde 1984) a verem navios. Para não amargar um prejuízo enorme, repassou os direitos de transmissão por assinatura à Sportv e por Internet ao Terra. Além disso, a emissora da Barra Funda conseguiu os direitos sobre os Jogos Pan-Americanos de 2011 (que serão em Guadalajara, no México) e 2015 (em local a ser definido pela ODEPA).

O acordo que deu às três emissoras abertas os direitos de transmissão das Olimpíadas de 2016 (que deverão ser extensivos aos Jogos de Inverno de 2014, em Sochi, na Rússia) premia as três redes de TV que mais investem em esportes no Brasil. Havia uma disputa acirrada entre elas, principalmente depois da entrada da Record no circuito das grandes transmissões de eventos esportivos. Já entre as TVs por assinatura e transmissão via Internet, a candidatura conjunta Globo/Bandeirantes conseguiu os direitos exclusivos (Sportv/BandSports), podendo optar pela transmissão ou pelo repasse de direitos a outras emissoras fechadas.

28.6.09

Dentro das limitações, um bom começo

Neste domingo, na Arena Olímpica do Rio, será disputado o quinto e decisivo jogo do Novo Basquete Brasil, entre Flamengo e Brasília. Como o esperado, o torneio, organizado pela Liga Nacional de Basquete, não foi um primor de nível técnico, longe disso. Afinal, a crise que parece dominar o basquetebol brasileiro há cerca de uma década não terminará de uma hora para outra. Mesmo assim, há pontos positivos a tirar desta edição reinicial.

Pela primeira vez em muito tempo, um torneio nacional de basquete é realizado num clima relativamente pacífico e bem organizado. A certeza de que há credibilidade no processo de realização de um campeonato nacional começa, aos poucos, a trazer o público de volta aos ginásios. Para esta partida decisiva no Rio, todos os ingressos estão esgotados - o apelo dos times finalistas certamente colaborou, mesmo por tratar-se das duas melhores equipes do basquete brasileiro no momento. São as duas últimas campeãs nacionais (o Brasília ganhou em 2007 e o Flamengo em 2008), fazem a decisão pelo segundo ano seguido e também conquistaram inéditos títulos internacionais na temporada (o Brasília conquistou a Liga das Américas; o Flamengo, a Liga Sul-Americana), o que já faz desse duelo um jogo diferenciado.

Claro que há pontos que precisam ser melhorados para as próximas edições do NBB. Por exemplo, uma maior exibição dos jogos pela TV, principalmente em sinal aberto - somente o jogo decisivo será transmitido, e mesmo assim apenas em flashes ao vivo. A presença de mais clubes de massa e/ou de forte tradição na modalidade é outro ponto que também deve ser levado em consideração, assim como uma maior presença da comissão técnica da Seleção nas partidas. Mesmo assim, comparando-se com as caóticas edições do Nacional da CBB, é um passo adiante - que tem tudo para, a médio prazo, promover a volta da dignidade ao basquete brasileiro.

13.5.09

A visibilidade esportiva e os princípios da mídia

Foi anunciado o fim do time masculino de vôlei profissional do Unisul, ora sediado na cidade catarinense de Joinville, depois de dez anos de projeto. Entre outros motivos, a Universidade do Sul de Santa Catarina, que mantinha a equipe, apontou o fato de o nome da instituição universitária ser omitido pela emissora de TV que transmite a Superliga, durante as matérias e transmissões. Nelas, o time era chamado apenas pelo nome da cidade em que era sediado, como ocorre com outras equipes com nomes de empresas ou faculdades.

Quando determinada empresa patrocina uma equipe esportiva, o que ela quer é que seu nome apareça. É para isso que ela investe: associar sua marca a um time que se planeja vencedor. Mas setores da mídia têm regras que fazem questão de seguir, como a de não fazer propaganda ou merchandising durante transmissões. Às vezes, chega-se ao extremo de proibir que o nome de uma empresa seja falado, mesmo que ela batize um time. Vários grupos de comunicação no Brasil seguem essas normas.

É do direito dos setores de mídia não se arriscar a fazer propaganda involuntária, mas os nomes das empresas devem, sim, aparecer nas transmissões. Elas investem para isso, e têm o direito de aparecer para as câmeras. Enquanto nossas modalidades não conseguem se sustentar por si, toda ajuda será válida.

25.4.09

A importância dos clubes de massa no esporte dito amador

Já defendi em recente texto a importância do investimento dos clubes populares no chamado esporte amador - muitos deles, notórios formadores de atletas para delegações olímpicas. Em tempos de crise financeira mundial, os clubes andam bem cautelosos em relação a gastos, mas sempre dão o seu recado em modalidades esportivas de alta visibilidade. No momento, clubes que não são conhecidos por departamentos de futebol, como o paulista Pinheiros, o mineiro Minas Tênis e os gaúchos Sogipa e Grêmio Náutico União, têm bons resultados em esportes como basquete, vôlei, judô e ginástica artística (o Pinheiros, falando nisso, foi o clube com o maior número de atletas na delegação brasileira que disputou as Olimpíadas de Pequim, sendo alguns de seus maiores exemplos o nadador César Cielo Filho e a ginasta Daiane dos Santos). Isso sem falar nas empresas e universidades investidoras em modalidades esportivas coletivas como vôlei, basquete e (exemplificando uma modalidade não-olímpica) futsal, constantemente dando nome a essas equipes.

Porém, os clubes conhecidos pelo futebol ensaiam uma volta aos investimentos em modalidades ditas amadoras. Clubes de massa como Flamengo (atual campeão brasileiro e da Liga Sul-Americana de basquete), Botafogo (que deverá montar um time feminino de vôlei para disputar a próxima Superliga, além de reeditar o basquete e fazer uma equipe de atletismo para aproveitar a pista do Engenhão, estádio arrendado pelo clube), Cruzeiro (que teve seu time masculino de vôlei quase classificado para a final da Superliga, logo na sua primeira participação, além de ter uma forte equipe de fundistas do atletismo) e Corinthians (que montou uma equipe de natação) buscam preencher um forte vazio midiático: a paixão pelos clubes, que sobra no futebol, mas falta um bocado nas demais modalidades.

Houve várias vezes em que os clubes despertaram paixões em esportes que não o futebol - a mais recente foi entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, no Rio de Janeiro. Os projetos olímpicos de Vasco e Flamengo mobilizaram as diretorias e torcidas dos dois clubes, que mandaram centenas de atletas para os Jogos Pan-Americanos de 1999 e as Olimpíadas de 2000. São memoráveis decisões entre os dois clubes - como no basquete (com o Flamengo derrotando o então invicto Vasco nas finais do Carioca de 1998, e os vascaínos dando o troco na decisão do Brasileiro, dois anos depois - aliás, eram dois timaços: o Vasco era a base da Seleção da época, sendo bicampeão brasileiro e da Liga Sul-Americana, além de ser vice-campeão mundial; já o Flamengo era capitaneado pelo Mão-Santa Oscar Schmidt, o que dispensa comentários) e no vôlei (o Flamengo de Leila e Virna derrotou o Vasco de Fernanda Venturini nas finais da Superliga em 2001, no Maracanãzinho). Depois, veio a conta: os dois rivais gastaram os tubos e acumularam dívidas, que mantêm até hoje.

Atualmente, os clubes de massa parecem ter a consciência de que visibilidade é fundamental, não só no futebol. Tanto que eles procuram patrocinadores exclusivos para essas modalidades. Depois de sofrer atrasos salariais de até quatro meses (condição que superou ao ganhar a Liga Sul-Americana), causados em parte pelo litígio com a Petrobrás, o time de basquete do Flamengo navega em águas mais tranquilas com as altas vendas da camiseta com a sua marca (que serve para quitar parte da dívida) e a assinatura de um novo patrocínio, que manterá a equipe por dois meses, até o fim do NBB, competição cuja primeira fase o Fla lidera. A nova administração do rival Botafogo, ainda que não tenha obtido sucesso no intento de "importar" o time de vôlei do Osasco, anunciou investimentos em várias modalidades como o próprio vôlei, o basquete e o atletismo.

A entrada de times de massa será muito importante para as modalidades. Elas serão mais visíveis, atrairão torcida e patrocínios fortes. E impede, em parte, o constrangimento de vários jornalistas, durante transmissões de competições esportivas, em falar o nome da cidade que o time representa ao invés de seu patrocinador, com medo de fazer merchandising involuntário...

Texto complementar: "Cultura Clubística", de Ricardo Antunes da Costa (30/11/2005)

24.4.09

'Olimpismo' faz aniversário de casa nova!

Nesta sexta-feira, o Olimpismo completa dois anos de existência, dedicando-se a comentar, opinar e exaltar o Movimento Olímpico, em todas as suas vertentes. Criado em definitivo (houve uma versão anterior ainda no Blogger Brasil, que teve vida curta) através do projeto Globoonliners, do site do jornal O Globo, em 24 de abril de 2007, começou falando das expectativas para os Jogos Pan-Americanos, disputados três meses depois no Rio de Janeiro. No ano seguinte, cobriu as Olimpíadas de Pequim através da visão do torcedor que acompanhava a competição pela TV. Em ambas as ocasiões, foi constantemente citado pela página 2 do Caderno de Esportes do jornal carioca. Com a iminente extinção do projeto pelo jornal (que deverá estar concluída em 13 de maio), todo o conteúdo foi transferido para o Blogger, mantendo os textos e, consequentemente, a memória.

Novos textos estão a caminho, falando sobre os bastidores, a história e as curiosidades que cercam as grandes competições esportivas do planeta. Neste ano, serão disputados os Jogos do Mediterrâneo (26/6 a 5/7), em Pescara, na Itália, e os Jogos da Lusofonia (11 a 19/7), em Lisboa - além dos Mundiais de Atletismo, em Berlim, e de Esportes Aquáticos, em Roma. Mas, acima de tudo, no mês de outubro, será escolhida pelo COI a cidade-sede das Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016 - o Rio de Janeiro concorre com Chicago, Madri e Tóquio, com boas chances de levar a melhor e trazer a maior competição poliesportiva mundial, pela primeira vez na História, à América do Sul.

Este foi um novo começo. Embarquemos juntos nessa grande viagem.

16.9.08

Imagine se tivessem apoio...



Na próxima quinta-feira, se encerrará a 13ª edição dos Jogos Paraolímpicos. Mesmo com o brilhante desempenho de nossos atletas, que bateram o recorde de medalhas conquistadas numa única edição (até o momento, foram ganhas por paratletas brasileiros 41 medalhas, 13 delas de ouro, o que dá ao país a 11ª posição no quadro geral), é o caso de perguntarmos por que os atletas paraolímpicos do Brasil não vêm recebendo a atenção devida, ainda que, aos poucos, alguns deles venham tendo seu valor reconhecido.
 
Salvo a cerimônia de abertura da edição deste ano, o evento jamais foi transmitido em sinal aberto pela TV brasileira. Mas mudanças benéficas começam a dar maior destaque aos paratletas. Uma maior cobertura jornalística vem sendo notado pelos que acompanham nossos meios de comunicação nas últimas edições. Ainda assim, é pouco. As transmissões ao vivo dos eventos esportivos ficaram restritas às emissoras de TV por assinatura. A cobertura do paradesporto carece de uma maior atenção das emissoras abertas. A esperança é que isso ocorra nas próximas edições.