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9.9.07

Encerrados os Jogos do Pacífico Sul. E a campeã do quadro de medalhas é...


...mais uma vez, a Nova Caledônia. A colônia francesa, líder histórica de medalhas da competição (e que, curiosamente, não é filiada ao Comitê Olímpico Internacional), foi mais uma vez a grande vencedora, com 90 medalhas de ouro, 68 de prata e 66 de bronze - seguida de longe pelo Taiti, segundo colocado com 44 ouros, 118 medalhas no total. A anfitriã Samoa ficou com 43 ouros (127 medalhas no total), em terceiro lugar, sendo a melhor entre as filiadas ao COI.

Agora, um parêntese para o futebol: no masculino, Nova Caledônia (ouro), Fiji (prata) e Vanuatu (bronze) se classificaram para a Copa das Nações da Oceania, onde enfrentarão a Nova Zelândia - a seleção campeã garantirá vaga na Copa das Confederações de 2009 e enfrentará o quinto colocado da Ásia na repescagem das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010. Já no feminino, a campeã Papua Nova Guiné enfrentará as neozelandesas na luta por uma vaga nas Olimpíadas de Pequim.

22.8.07

A mais exótica das competições continentais



Começa no próximo sábado (indo até 8 de setembro), em Ápia, capital de Samoa, a 13ª edição dos Jogos do Pacífico Sul, a maior competição polidesportiva da Oceania (mesmo sem contar com a participação da Austrália e da Nova Zelândia, que além das Olimpíadas disputam somente os Jogos da Comunidade Britânica).

Serão disputadas 33 modalidades, a maioria delas pertencente ao programa olímpico, outras não-olímpicas (como o fisiculturismo, o críquete, o golfe, a bocha, o surfe e o rúgbi) e outras estranhas a nossos olhos, como a canoa polinésia e o netbol (esporte similar ao basquete, praticado predominantemente por mulheres e muito popular em países de colonização britânica).

Disputarão o evento, cuja primeira edição se deu em 1963 (em Suva, Fiji), 22 delegações, entre países independentes como Samoa, Fiji e Vanuatu, além de territórios e dependências - vários destes não-filiados ao Comitê Olímpico Internacional como Nova Caledônia (líder no quadro histórico com 568 medalhas de ouro, 1411 no total), Niue, Norfolk, Toquelau e as Ilhas Marianas do Norte. Não haverá competições aos sábados.

Curiosidade: o torneio masculino de futebol servirá como a primeira etapa das Eliminatórias da Oceania para a Copa do Mundo de 2010. As três seleções medalhistas enfrentarão a Nova Zelândia na Copa das Nações da Oceania de 2008, que dará à seleção campeã a vaga na Copa das Confederações de 2009, na África do Sul, além do direito de disputar a vaga para o Mundial numa repescagem contra o quinto colocado da Ásia. Entre as mulheres, o torneio de futebol valerá como classificação para o Pré-Olímpico do próximo ano.

19.8.07

Missão cumprida. Ou quase



A terceira edição dos Jogos Parapan-Americanos se encerrou hoje, no Rio, com a confirmação de duas coisas: a força do Brasil em competições paradesportivas (o país-sede foi o grande vencedor da competição, terminando em primeiro lugar no quadro geral de medalhas, com 83 ouros, 228 no total; o segundo colocado foi o Canadá, com 49 ouros); e o entrelaçamento definitivo do Pan e do Parapan quanto à cidade-sede: o Comitê Paraolímpico das Américas confirmou que a sede dos Jogos Parapan-Americanos de 2011 será mesmo a cidade mexicana de Guadalajara, que também sediará o Pan no mesmo ano.

Tudo bem, mas... As cerimônias de abertura e encerramento poderiam ter sido mais bem cuidadas, isso é fato. A de abertura, no domingo passado, realizada na Arena Olímpica do Rio, foi uma cópia-carbono e em níveis reduzidos da do Pan. Os organizadores poderiam ter criado uma cerimônia mais original, enfatizando a superação dos limites. Além disso, ela foi restrita a convidados das três esferas de governo, e nem todos compareceram - pra falar a verdade, uma minoria marcou presença nas cadeiras da Arena, fazendo-a ficar quase vazia. Se não podia fazer como fariam durante a competição - ou seja, entrada franca -, pelo menos poderiam fazer os que queriam assistir trocarem alimentos não-perecíveis por convites. Não faltariam interessados, com certeza.

Com a de encerramento, realizada hoje, foi ainda pior. Anteriormente, ela estava marcada também para a Arena Olímpica do Rio. Nesta quinta-feira, porém, os organizadores a transferiram para a Vila Pan-Americana, fazendo-a ficar restrita aos atletas e às autoridades. Ou seja, fechada ao público que queria coroar a bela campanha dos nossos paratletas. Pegou mal.

Ou seja, os organizadores perderam a oportunidade de fazer dos Jogos Parapan-Americanos de 2007 ainda melhores do que foram. Mesmo assim, valeu pela força de superação de nossos atletas, que venceram todos os limites (dos físicos aos financeiros) para dar o seu recado.

17.8.07

Cadê a surpresa?

Muitos estão se surpreendendo com a ótima campanha do Brasil nos Jogos Parapan-Americanos. Os organizadores e a grande maioria dos torcedores esperavam que os anfitriões brigassem, no máximo, pela terceira posição com o México. Como todas as modalidades do evento são classificatórias ou passíveis de índice para os Jogos Paraolímpicos de Pequim, em 2008, as grandes forças esportivas do continente (Estados Unidos e Canadá) decidiram trazer suas principais forças paradesportivas ao Rio. Mesmo assim, o Brasil está disparado na frente no quadro de medalhas (na noite da sexta-feira 17 de agosto, antepenúltimo dia de competições, o país anfitrião tinha 58 medalhas de ouro, 18 à frente do vice-líder Canadá - no total, 167 medalhas e ainda contando).

Para o Olimpismo, porém, essa grande campanha não surpreende. Pra quem não sabe, o Brasil tem grande tradição em modalidades paradesportivas. O país costuma fazer grandes campanhas em Paraolimpíadas, costumando inclusive figurar nas primeiras posições no quadro de medalhas (em 2004, nos Jogos de Atenas, o Brasil ficou na 14ª posição, com 14 ouros e 33 medalhas no total). Disputando em casa e com o apoio da torcida, então, o primeiro lugar é até natural.

Que este evento seja um divisor de águas para que aqueles que superam os limites que lhes são dados pelos fatos da vida sejam vistos com mais atenção, tanto pelo público, quanto pela mídia e os empresários interessados em atrelar suas marcas a grandes atletas - mas, acima de tudo, a grandes vencedores.

11.8.07

Pensa que acabou? Ainda tem mais por uma semana!



Pra quem estava com saudades das emoções do Pan, elas estarão de volta a partir de amanhã, até o domingo seguinte. É a terceira edição dos Jogos Parapan-Americanos, cuja cerimônia de abertura será realizada neste domingo, na Arena Olímpica do Rio. Todas as suas competições serão classificatórias para as Paraolimpíadas de Pequim, no ano que vem.

Esta é a terceira edição do Parapan, e é a primeira realizada na mesma cidade-sede e logo em seqüência ao Pan (a primeira edição, em 1999, foi na Cidade do México; a segunda, em 2003, foi em Mar del Plata, na Argentina), usando as mesmas instalações - procedimento semelhante ao que é feito em nível mundial desde 1988, e que deverá ser adotado pelo Comitê Paraolímpico das Américas deste ano em diante.

Serão dez modalidades, praticadas por atletas portadores de diferentes tipos de deficiência. O Brasil, país de forte tradição no paradesporto, deverá lutar pela liderança no quadro de medalhas. E o melhor de tudo: a entrada para todas as provas é franca, obedecendo à ordem de chegada. Vamos prestigiar nossos atletas paradesportivos.

30.7.07

Até 2011, Pan!



Neste domingo, encerrou-se a 15ª edição dos Jogos Pan-Americanos. A edição carioca do evento (considerada pelo presidente da ODEPA a maior de todos os tempos) teve seus altos e baixos, como toda grande competição esportiva. Como o esperado, o Brasil teve sua melhor participação na história do evento, com 161 medalhas - 54 de ouro.

Claro, ainda temos um longo caminho a percorrer até que venhamos a nos tornar uma potência olímpica. Mas estamos no caminho certo - e este Pan que se encerrou pode ter sido o empurrão que faltava para consolidar o interesse geral pela prática esportiva.

O Olimpismo dá os parabéns a nossos atletas e avisa que não parará por aqui. Acompanhará o Parapan do Rio, de 12 a 19 de agosto. Se possível, acompanhará os Jogos do Pacífico Sul de Ápia, em Samoa. Além dos preparativos para as Olimpíadas de 2008, em Pequim.

28.7.07

Pan do Rio, o Pan do frio

Contrariando previsões que afirmavam clima ameno para o mês de julho de 2007 (apesar de estarmos na época do inverno), os Jogos Pan-Americanos do Rio terminam debaixo de uma onda de frio que não combina com a cidade-sede. Ressalte-se: foram poucos os momentos de céu aberto durante o período de disputa dos Jogos. As chuvas atrapalharam muitas competições realizadas a céu aberto - inclusive, cancelando as finais do softbol (o ouro foi para os Estados Unidos, único país que tinha garantido vaga na final) e adiando as finais do tênis masculino para o último dia de competições.

Para o Olimpismo, nenhuma surpresa. O mês de julho, pelo que foi mostrado, não é adequado para um grande evento como o Pan - só foi escolhido pelos organizadores por causa das férias escolares. Para um país como o Brasil, o mais adequado seria o mês de outubro ou novembro, uma época menos chuvosa. Em Olimpíadas, é comum os organizadores marcarem em datas que não sejam julho ou agosto - a Austrália que o diga. Os Jogos de 1956, em Melbourne, começaram em novembro; os de 2000, em Sídnei, em setembro.

A próxima edição do Pan, em 2011, na cidade mexicana de Guadalajara, deverá ser marcado para ocorrer de 14 a 30 de outubro - uma época em que os grandes atletas não deverão estar ocupados com outras competições, classificatórias para as Olimpíadas de Londres. O que poderia ter sido feito, perfeitamente, pelos organizadores cariocas.

27.7.07

Fantasma exorcizado. Mas calma, gente, ainda não acabou

A Seleção de vôlei masculino derrotou a Venezuela por três sets a zero (30/28, 25/18 e 25/16), classificou-se à final do torneio pan-americano contra os Estados Unidos, que eliminaram Cuba na outra semifinal, e coroaram um brilhante dia para o Brasil na competição (foram cinco medalhas de ouro, incluindo o tricampeonato por equipes na ginástica rítmica e a quebra de um longo jejum: o ouro no boxe depois de 44 anos).

Mas o Brasil, talvez assustado com a derrota sofrida para os próprios venezuelanos também numa semifinal, no Pan de 2003, começou mal a partida. A Venezuela jogou melhor no primeiro set, ficando quase o tempo todo à frente - chegou a ganhar por 23 a 18. Mas os brasileiros reagiram, e venceram por incríveis 30 a 28.

Com essa vitória, os brasileiros se soltaram e dominaram as ações da partida. Tanto que venceram os dois sets seguintes até com certa tranqüilidade.

O Brasil chega à final sem perder período nenhum, disposto a acabar com o jejum pan-americano que já dura 24 anos - além disso, este é o único título que o Brasil ainda não ganhou na Era Bernardinho. O Brasil mostra que não sente tanta falta assim do levantador Ricardinho, cortado às vésperas do Pan por desentendimentos de longa data com o treinador. Mas os norte-americanos, pelo que vêm mostrando no Rio, são osso duro de roer. Vale lembrar que, nessa mesma era (desde 2001), o Brasil perdeu grande parte das finais que disputou em casa - inclusive uma de Copa América, para os próprios Estados Unidos. Ou seja, muito cuidado.

Ela, a vaia

Os Jogos Pan-Americanos do Rio, por representarem um raro evento esportivo de alto nível em território brasileiro, vêm se notabilizando pela intensa participação da torcida nacional - para o bem e para o mal.

Se os nossos torcedores têm ampla participação na excelente campanha brasileira nas competições, fazendo com que o Brasil tenha sua melhor participação na história do Pan (estamos lutando pelo segundo lugar no quadro geral de medalhas com Cuba, o que era inimaginável até então), com incentivos efusivos, eles também atrapalham muito com um ingrediente incômodo: a vaia.

As vaias estão em voga desde a cerimônia de abertura, usada como sinal de protesto contra a situação política do país - mas agora ela é usada como uma constrangedora arma de intimidação. A monocultura futebolística da população brasileira (que costuma separar a Humanidade entre amigos e inimigos), combinada aos poucos acontecimentos esportivos no país e às rivalidades adquiridas, provoca esse tipo de coisa.

Somente um largo período de educação e noções de respeito com uma maior constância de eventos esportivos pode mudar essa situação. Senão, fica difícil não se envergonhar.

26.7.07

O Maraca é delas

Com um show de Marta, a melhor do mundo, o Brasil conquistou merecidamente a medalha de ouro no futebol feminino ao golear a seleção Sub-20 dos Estados Unidos por 5 a 0, hoje à tarde, no Maracanã, para delírio da torcida que compareceu hoje em grande número no estádio.

O resultado coroou uma campanha impressionante, talvez a melhor obtida por uma seleção gerida pela CBF em todos os tempos. Seis vitórias em seis jogos, 33 gols marcados e nenhum sofrido.

Agora, resta à própria CBF e àqueles que investem no futebol olharem com mais cuidado para o futebol feminino. Fazendo mais investimentos e promovendo campeonatos, como a incipiente Liga Nacional, realizada neste ano e que teve o Santos como campeão. A Conmebol também poderia promover um Sul-Americano de clubes no feminino.

O nosso futebol tem potencial entre as mulheres. Resta um empurrãozinho pra que as coisas engrenem e ele possa crescer definitivamente.

22.7.07

Calma, pessoal

O pessoal que disputa e o que assiste às competições dos Jogos Pan-Americanos parece estar sofrendo de uma crise de ansiedade incontrolável. Só isso pra explicar as confusões que têm acontecido nesses últimos dias.

O público espectador não colabora muito, é verdade. A vaia com motivos vazios, logo em momentos em que os atletas devem estar concentrados, é indesculpável. Mas os atletas têm sua parcela de culpa, com provocações sem sentido.

Hoje ocorreram os mais graves entreveros entre atletas e torcedores deste Pan. O primeiro foi na final do handebol masculino, em que o Brasil se sagrou bicampeão ao derrotar a Argentina por 30 a 22. Nos segundos finais do jogo, houve uma pancadaria entre jogadores dos dois times. Os motivos são desencontrados, mas o fato é que a cena é lamentável.

À tarde, mais confusão, desta vez no judô, e envolvendo diretamente torcedores. Na final feminina da categoria meio-leve, uma decisão polêmica da arbitragem causou a derrota da brasileira Erika Miranda para a cubana Sheila Espinosa. A torcida protestou atirando objetos contra a arbitragem, que se retirou momentaneamente do local. As provocações entre torcedores dos dois países causaram uma briga generalizada nas arquibancadas destinadas aos convidados. Os ânimos se arrefeceram mais tarde.

Pessoal, esporte tem coisas que não nos agradam às vezes. Só resta, a nós, aceitar as adversidades.

21.7.07

País do futebol, do judô, da natação...




Nesta sexta-feira, o Brasil deu uma boa disparada no quadro de medalhas ao conquistar quatro ouros (dois na natação, com Thiago Pereira nos 200 metros quatro estilos, além da equipe do revezamento 4x100, e dois no judô, com Tiago Camilo e Edinanci Silva) e várias conquistas surpreendentes, como a prata da judoca Mayra Aguiar Silva (foto), de apenas 15 anos, e o bronze da nadadora Monique Ferreira nos 200 metros livre.

Apesar do nível técnico mais baixo do que de um Mundial ou de uma Olimpíada, os nadadores brasileiros fazem excelente campanha nas piscinas cariocas. Thiago Pereira se destaca por ser o nadador brasileiro de resultados mais convincentes da atualidade. Com as vitórias de hoje (ele recebeu a medalha do revezamento como reserva, pois nadara nas eliminatórias), chegou a cinco ouros e bateu o recorde brasileiro de número de medalhas de ouro numa única edição do Pan (batendo a marca de Fernando Scherer, de 1999, em Winnipeg) e ainda igualou a marca do maior nadador de todos os tempos, Mark Spitz (que ganhou cinco ouros em 1967, na mesma cidade canadense). E vem mais por aí...

O judô confirma sua tendência de ser um esporte altamente medalhista para o Brasil, não importando a competição. À prata e ao bronze de quinta-feira, juntaram-se os dois ouros, a prata e o bronze (este, conquistado por Luciano Correia) desta sexta, fazendo o Brasil ultrapassar o Canadá na terceira posição no quadro geral de medalhas.

E não parou por aí: os esportes coletivos femininos obtiveram grandes resultados nesta sexta. O futebol garantiu o primeiro lugar no seu grupo ao golear impiedosamente o Canadá por 7 a 0, com cinco gols de Marta, no Maracanã. Já o basquete estreou com uma vitória de 81 a 69 sobre a Jamaica.

20.7.07

Mas o que há com o vôlei feminino?

Ontem, o Brasil perdeu por 3 a 2 para Cuba, na decisão do vôlei feminino. Foi um jogo equilibrado em que qualquer um poderia ter vencido, e a vitória cubana foi justa pelo que elas jogaram, demonstrando força e superação. Mas as brasileiras perderam umas sete chances de fechar a partida e conquistar o ouro (a maioria delas ainda no quarto set), muito por causa de erros bobos. Isso já tinha ocorrido na semifinal olímpica de 2004 contra a Rússia, de tão triste memória. Na final do Mundial de 2006, outra derrota de 3 a 2 para a mesma Rússia, pensava-se que isso tinha mudado - afinal de contas, não houve demonstrações de nervosismo naquela ocasião. Teria a nossa seleção de vôlei feminino regredido emocionalmente?

Não é questão de comando técnico - mesmo quando Bernardinho era o técnico, já havia isso. Seria complexo de vira-latas?

Vamos nos lembrar que o futebol também padecia disso, até ser campeão mundial em 1958. Depois, decolamos no nosso esporte mais popular. Esperemos que o vôlei feminino também tenha esse fenômeno. Afinal de contas, o masculino também demorou para ganhar um título de expressão em nível mundial (depois dos vices mundial em 1982 e olímpico em 1984 - a Geração de Prata - o Brasil só seria ouro em 1992, com o mesmo José Roberto Guimarães, atualmente na seleção feminina, como técnico).

15.7.07

Pan 2007: O Brasil em seus primeiros dias contando com as próprias forças

Nos dois primeiros dias de competição oficial nos Jogos Pan-Americanos, o Brasil está dentro de suas previsões (apesar de ter conquistado apenas uma medalha de ouro, com Diogo Silva no taekwondo).

Algumas conquistas são de certa forma surpreendentes, como a prata conquistada pela ciclista Ana Flávia Sgobin no ciclismo BMX (depois de ficar três anos fora do esporte por motivos pessoais, ele teve apenas dois meses para treinar para o Pan) e o bronze de Juraci Moreira Júnior no triatlo (visto que os atletas da modalidade envelheceram e não há renovação neste esporte). Além disso, houve o bronze no adestramento do hipismo, mesmo com o corte de um atleta por intoxicação alimentar, e a substituição por uma jovem de 15 anos. A medalha rendeu vaga para as Olimpíadas de Pequim.

Isso mostra como o brasileiro precisa de incentivo para crescer. Capacidade de superar desafios e atingir metas, ele tem.

13.7.07

É hoje!

Nesta sexta-feira, começa oficialmente a 15ª edição dos Jogos Pan-Americanos. E a sua cidade-sede, o Rio de Janeiro, poucas vezes em sua história recente viveu uma onda tão grande de euforia - com a própria realização do Pan e também com a escolha do Cristo Redentor como uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo.

E a hospitalidade do carioca, combinada à boa fase presente de sua cidade, promete fazer desses dias inesquecíveis para aqueles que fazem do esporte a sua vida. Que comecem os Jogos!

2.7.07

Demorou, mas valeu a pena



No último sábado, foram inaugurados dois importantes locais de competição dos Jogos Pan-Americanos do Rio: o Maracanãzinho reformado, que se tornou o segundo mais moderno ginásio do país (o primeiro, evidentemente, é a Arena Olímpica do Rio, que deverá ser inaugurada neste final de semana); e o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão.

Poderia ser melhor - levando-se em consideração que as duas obras demoraram muito mais tempo para serem concluídas que o esperado, tanto por causa de falta de sintonia entre as três esferas de governo (algo, infelizmente, muito comum no Brasil), quanto por trapalhadas mesmo (como no caso da reforma do Ginásio Gilberto Cardoso, que demorou mais de quatro anos por causa da falência da empreiteira responsável pela obra - o que fez com que o Mundial de Basquete Feminino de 2006 tivesse que ser transferido para o repleto de goteiras ginásio do Ibirapuera, em São Paulo).

O prolongamento das obras - assim como o seu conseqüente superfaturamento - será avaliado pelos órgãos competentes. De todo modo, só resta-nos curtir o legado que tais obras terão que nos deixar, em relação ao desenvolvimento do esporte. E os eventos que tais arenas certamente nos credenciarão a sediar (como os Mundiais de Judô em setembro deste ano, e de Futsal no fim do ano que vem - e outros ainda virão).

8.5.07

Futebol no Pan: Bem que poderiam facilitar...

Foi anunciado ontem pelo Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007 (CO-Rio) que, devido ao aumento do número de participantes do torneio de futebol feminino de 8 para 10, este torneio terá que se iniciar dois dias antes da cerimônia de abertura, que será no dia 13 de julho.

Provavelmente, o regulamento terá dois grupos de cinco equipes cada. Mas a coisa poderia ser mais facilitada, sem a necessidade de "alongar" o torneio. As dez seleções poderiam ser divididas em três grupos: um de quatro e dois de três equipes cada. Os dois primeiros do grupo de quatro e o primeiro de cada um dos grupos de três se classificaria para as semifinais.

O amigo leitor deve achar tal coisa muito estranha e injusta, visto que algumas seleções teriam que jogar três partidas e outras, duas na primeira fase. Mas houve precedentes. Nas Olimpíadas de 2004, por exemplo.

No torneio de futebol feminino dos Jogos de Atenas, também houve dez seleções. Inicialmente, a idéia seria também dividi-las em dois grupos de cinco. Depois, mudaram de idéia e dividiram-as em três grupos. Mas, ao invés de quatro classificados (o que seria o correto), foram oito! Ou seja: três seleções do grupo de quatro, os dois primeiros dos grupos de três... e o último colocado de melhor campanha do grupo de três. Ou seja, uma bizarrice só. Felizmente, esse regulamento não será mais repetido (a partir de 2008, o Torneio Olímpico de Futebol Feminino será disputado por 12 seleções).

5.5.07

Tiago Camilo muda de categoria para disputar Pan no judô

O judoca Tiago Camilo, prata nas Olimpíadas de 2000, decidiu mudar para uma categoria de peso superior para disputar os Jogos Pan-Americanos do Rio, em julho. Diante do impasse da decisão de quem iria representar o país na categoria meio-médio (a disputa era entre Camilo e Flávio Canto, bronze nas Olimpíadas de 2004), o coordenador-técnico da CBJ, Ney Wilson, decidiu promover Camilo para a categoria médio, aproveitando uma vaga aberta pela contusão do médio Hugo Pessanha.

Além disso, Flávio Honorato (prata em 2000), que está fora de forma, não disputará o Pan, visando a sua preparação para o Mundial de Judô, em setembro, também no Rio (fonte: O Globo Online).

27.4.07

Inchaço no futebol do Pan. Mas, pelo menos, houve acordo. Menos mal



Na última quarta-feira, a ODEPA anunciou que entrou num acordo com a Conmebol e a Concacaf, e aumentará o número de seleções dos torneios de futebol masculino e feminino dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Além disso, apesar da idade máxima de 20 anos (com cada seleção podendo enviar até três jogadores mais velhos), as equipes terão autonomia para enviar times na faixa que desejarem. Os sul-americanos deverão enviar times Sub-17, visando a preparação para o Mundial da Coréia do Sul.

O anúncio encerra o impasse entre as três entidades esportivas, que divergiam quanto à idade máxima do torneio de futebol do Pan (a ODEPA e a Concacaf queriam seleções pré-olímpicas, até 22 anos; a Conmebol queria equipes Sub-17. A ODEPA anunciou recentemente que o Pan seria um torneio Sub-20, o que desagradou à FIFA, que organizará o Mundial da categoria no Canadá, na mesma época). Mas evidencia a falta de critério e de padronização do esporte mais popular do planeta no maior evento esportivo das Américas. Poucas vezes, desde que o torneio nasceu, em 1951, uma edição teve regulamento igual a outra. Nas Olimpíadas, por exemplo, o número de seleções é o mesmo (16) desde 1960. Houve uma exceção em 1976, com 14 equipes, mas apenas isso.

Tanto no masculino quanto no feminino, estava prevista a participação de oito seleções no futebol do Pan de 2007. Agora, serão 12 no masculino (Brasil, Argentina, Colômbia, Peru, Equador, Venezuela, Estados Unidos, Jamaica, México, Costa Rica, Haiti e Honduras) e 10 no feminino (Brasil, Estados Unidos, Jamaica, Panamá, México e Canadá já estão garantidos. As outras equipes sul-americanas ainda não estão definidas, mas se for levada em consideração a classificação no Sul-Americano do ano passado, serão Argentina, Uruguai, Paraguai e Equador). Ou seja, toda a tabela terá que ser refeita. E isso a menos de três meses da abertura, em 13 de julho.

Se levarmos em consideração que o presidente da ODEPA disse que tiraria o futebol do Pan se não fosse no Brasil, o anúncio pode ser considerado lucro.

26.4.07

Atraso é ruim. Mas quem nunca atrasou?

Os atrasos nas obras de construção e reforma das instalações para os Jogos Pan-Americanos do Rio são motivos (justos, ressalte-se) de críticas dos especialistas, além de não resultarem em benefícios para a população da cidade, em relação às promessas de melhorias na infra-estrutura - o que pode prejudicar o país numa eventual candidatura olímpica, além de atrapalhar o país na luta para sediar a Copa do Mundo de 2014. Mas isso não pode ser considerado exceção numa grande competição polidesportiva. Pelo contrário: é mais comum do que se imagina.

Os críticos da organização carioca podem citar os preparativos de Pequim para sediar as Olimpíadas de 2008, cujas obras estão quase prontas faltando mais de um ano para seu início, em 8 de agosto do próximo ano. Mas o poderio chinês é algo excepcional, visto que o país mais populoso do planeta cresce econômica e politicamente a olhos vistos. Claro que isso iria influir em excelência na organização, típico de quem quer ser visto como o mais poderoso do mundo no futuro.

Em competições polidesportivas, é comum haver atrasos nas obras de construção. Não é preciso voltar muito no tempo para comprovar isso, uma vez que a busca pela perfeição pode implicar em alguns problemas. As Olimpíadas de 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos, notorizaram-se por ginásios e estádios construídos e/ou reformados às pressas. O Pan de Santo Domingo, em 2003, tinha obras ainda mais atrasadas que o do Rio este ano. E as Olimpíadas de Atenas, em 2004, foram organizadas em cima do laço - a estrutura da cidade só ficou pronta poucos dias antes do início dos Jogos. E eles foram sensacionalmente bem-organizados - o trânsito de Atenas é famoso por ser uma bagunça.

Os operários e organizadores do Pan do Rio (principalmente os primeiros) podem ser considerados vencedores - estão driblando falta de verba e de tempo, burocracia, protestos de todos os lados, condições insalubres... E o resultado desse esforço todo é o conjunto de arenas esportivas, aparentemente, bem acima do nível latino-americano. O Maracanãzinho, por causa de uma trapalhada do governo estadual (que não conferiu as condições financeiras da empresa que reformaria o Complexo do Maracanã, e que iria à falência poucos meses depois do início das obras), perdeu o Mundial de Basquete Feminino do ano passado, que foi para São Paulo. Em compensação, graças ao esforço dos operários, que não páram de trabalhar há meses (três turnos diários de oito horas cada), começa a ficar modernizado, em excelente nível.

A Cidade dos Esportes (nome oficial do Complexo do Autódromo) já terá utilidade após o Pan: a Arena Olímpica do Rio (que sediará basquete e ginástica olímpica) abrigará o Mundial de Judô deste ano, e o Mundial de Futsal de 2008. O Parque Aquático Maria Lenk e o Velódromo terão condições de sediar competições internacionais.

O problema será o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, que corre o risco de ficar sem utilidade após o Pan. A esperança é a confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 e a reforma (mais uma) do Maracanã para se adequar às normas da FIFA, fazendo com que os clubes cariocas passem a utilizar mais o Engenhão. Além disso, o Troféu Brasil e a etapa GP Rio de atletismo teriam o estádio como sede.

Apesar dos pesares, o "pós-Pan" terá tudo para ter mais prós que contras. Basta nossos dirigentes pensarem direito e com carinho no legado que a competição trará ao esporte na cidade.