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30.7.17

E a história olímpica se reescreve, mais uma vez


Pelo visto, será anunciado em setembro, na Sessão do COI em Lima, que Paris sediará os Jogos Olímpicos de 2024 e Los Angeles, os de 2028. Na minha opinião, é a melhor opção. O anúncio de que as sedes de duas Olimpíadas serão anunciadas simultaneamente (pelo que sei, isso só ocorrera duas vezes: a primeira em 1894, para decidir as sedes das duas primeiras edições, em 1896 e 1900; a segunda, em 1921, para escolher quem sediaria em 1924 e 1928) foi, segundo o COI, para cortar gastos – levemos em consideração que, depois de um período de forte concorrência em que quase uma dezena de cidades mundo afora se acotovelava para tentar receber as Olimpíadas (fenômeno que teve seu ápice nos anos 1990 e 2000) devido à potencial lucratividade, parecemos voltar à época em que poucas cidades concorriam a sede olímpica (a própria Los Angeles, em 1978, foi candidata única a receber os Jogos de 1984 e – desnecessário dizer – deu as cartas o tempo todo para impor as suas regras na organização do evento, fazendo o COI praticamente seu refém).

A cidade californiana, aliás, é considerada a grande responsável pela onda de candidaturas que tomaria conta do movimento olímpico dos anos 1980 aos 2000. O grande sucesso comercial dos Jogos da XXIII Olimpíada – que geraram lucro, algo inédito na história olímpica – provocou uma intensa corrida aos milhões de dólares que o status de sede olímpica poderia gerar. Antes disso, em 1981, apenas duas cidades haviam se prontificado a receber a Olimpíada de 1988 – a japonesa Nagoia e a sul-coreana Seul, que seria a vencedora e sediou os Jogos também de forma bem sucedida, embora não tanto como Los Angeles. Já em 1986, dois anos depois do estrondoso sucesso americano, nada menos que seis cidades se candidataram a sediar os Jogos Olímpicos de 1992, e a espanhola Barcelona foi a vencedora. Em 1990, mais seis cidades sonharam em receber a Olimpíada do Centenário, em 1996. Atenas era a favorita, mas a americana Atlanta ganhou. A concorrência era tão gigantesca (em quantidade e qualidade, pois eram cidades altamente relevantes as que queriam esse prêmio) que o COI chegou a impor uma “primeira fase” de cidades concorrentes, eliminando as menos qualificadas e restringindo a escolha da sede olímpica a quatro ou cinco finalistas. O ápice da insanidade olímpica foi a escolha para os Jogos de 2004. Em 1997, onze cidades queriam receber a primeira Olimpíada do Terceiro Milênio. Entre elas, o Rio de Janeiro – eliminado na primeira seleção, com outras cinco cidades. Atenas foi a vencedora.

Os cariocas teriam a sua vez doze anos depois, quando foram escolhidos para receber os Jogos da XXXI Olimpíada, em 2016. Primeiramente, qualificou-se à fase final com outras três cidades concorrentes (Chicago, Madri e Tóquio), eliminando outras três (Baku, Doha e Praga). Em 2 de outubro de 2009, a cidade foi escolhida, tornando-se a primeira localidade da América do Sul (e a primeira da América Latina desde 1968) a receber o evento. Até então, sediar uma Olimpíada era a oitava maravilha do mundo – ainda tínhamos na mente a fantástica Olimpíada de Pequim, no ano anterior ao da escolha. Fora uns e outros problemas em Jogos anteriores (como os problemas tecnológicos de Atlanta, os atrasos nas obras e os elefantes brancos de Atenas e a poluição de Pequim), uma Olimpíada era vista como um grande negócio. E o futuro era promissor, considerando que a Olimpíada seguinte (a de Londres, em 2012) era vista como sustentável e econômica, já que o mundo tinha acabado de passar por uma grave crise financeira.

Mas Londres, apesar da organização elogiável, não foi tão bem no seu intento de aproveitar a estrutura provisória de alguns locais de prova. Antes de esta Olimpíada se iniciar, o Rio se inspirou em algumas ideias londrinas, mas até hoje não conseguiu pô-las em prática: a transformação da Arena do Futuro (sede do handebol na Olimpíada e do golbol na Paralimpíada) em quatro escolas públicas gorou por falta de condições financeiras; o Parque Radical de Deodoro, sede de várias modalidades olímpicas, ainda não abriu para a população da região, ao contrário do que era prometido antes da Olimpíada; a Arena da Juventude, palco do basquete e do pentatlo moderno, não mais funcionou depois do encerramento olímpico, permanecendo fechada onze meses depois do encerramento dos Jogos. Ao mesmo tempo, para desespero do COI, os altos gastos e custos de sediar uma Olimpíada, que vinham se tornando maiores que eventuais bônus, começaram a causar desinteresse de potenciais cidades em receber atletas do mundo inteiro.

Um ano depois dos Jogos de Londres, apenas três finalistas concorreram a sede da Olimpíada de 2020. Inicialmente, seis cidades se aplicaram a tal – mas Roma desistiu no meio do caminho, e Baku e Doha novamente não foram aprovadas. Istambul, Madri e Tóquio foram à fase final, e a capital japonesa – que era a grande favorita, depois de terminar atrás apenas do Rio para 2016 – foi a vencedora. Contudo, os altos gastos do Rio, justamente quando o Brasil vivia a mais grave crise financeira de sua história, serviram como fonte de desinteresse para as cidades postulantes a 2024. Das cinco cidades iniciais, três desistiram – Hamburgo, Roma (pela segunda vez consecutiva) e Budapeste, nessa ordem. Apenas Los Angeles e Paris ficaram no páreo. O COI temia que mais nenhuma cidade tivesse interesse em receber os Jogos – ou, pior, apenas uma cidade quisesse receber os Jogos de 2028 e ditasse as regras do jogo, exatamente como Los Angeles fez para ganhar o direito sobre 1984. Com isso, ganhou força a possibilidade de as duas cidades receberem Olimpíadas consecutivas – uma em 2024, a outra em 2028. E essa proposta triunfou.

No momento, Paris é a favorita para receber os Jogos da XXXIII Olimpíada e os XVII Jogos Paralímpicos, em 2024; Los Angeles, os Jogos da XXXIV Olimpíada e os XVIII Jogos Paralímpicos, em 2028. As duas cidades têm boas estruturas, faltando apenas obras pontuais. Se elas não fizerem nada megalômano e tiverem responsabilidade com o dinheiro dos seus respectivos contribuintes, terão tudo para organizar excelentes Olimpíadas e, quem sabe, novamente despertar o interesse de várias cidades de todo o mundo em receber o maior evento esportivo mundial.

Curiosidade histórica: lembram quando, lá no início do texto, foi ressaltado que esta deverá ser a terceira vez em que o COI anunciará simultaneamente as sedes de duas Olimpíadas consecutivas? A cidade de Paris esteve envolvida em ambas: ela sediou em 1900 (foi anunciada junto com Atenas, que recebeu os Jogos da I Olimpíada, em 1896) e 1924 (a holandesa Amsterdã foi anunciada como sede da Olimpíada seguinte, que seria em 1928).

3.8.13

Cielo, o primeiro tricampeão mundial

Foto: AP
Um momento histórico ocorreu neste sábado no Palau Sant Jordi, em Barcelona: o brasileiro César Cielo Filho se sagrou o primeiro nadador tricampeão mundial dos 50 metros nado livre. Depois dos títulos mundiais na mais rápida prova da natação conquistados em 2009, em Roma, e em 2011, em Xangai (além de duas medalhas olímpicas, o ouro em 2008 e o bronze em 2012), o maior nadador brasileiro de todos os tempos segue fazendo história. E com um sabor todo especial.
 
Afinal, este título marca a redenção do brasileiro, depois de uma fase que não foi das melhores. O bicampeonato, há dois anos, já tinha sido sob o impacto de um resultado positivo em um exame antidoping em que o nadador foi advertido pela CBDA e, posteriormente, pela FINA e pelo Tribunal Arbitral do Esporte. Um ano depois, Cielo era o favorito para conquistar o bicampeonato olímpico nos 50 metros livre em Londres, mas ficou apenas com o bronze. Alguns meses mais tarde, teve que se submeter a operações nos dois joelhos, que o deixaram um bom tempo parado.
 
O Mundial de Barcelona serviu para dar afirmação ao brasileiro, que não era o favorito para o título - os franceses eram os mais cotados. No final das contas, Florent Manaudou, atual campeão olímpico da prova, terminou apenas na quinta colocação - Frédérick Bousquet foi só o oitavo. Cielo ganhou o tri mundial com o tempo de 21"32. O russo Vladimir Morozov foi prata, com 21"47; George Bovell, de Trinidad e Tobago, ficou com o bronze, com 21"51.
 
Com esta terceira medalha de ouro no Mundial (a segunda para Cielo, campeão também nos 50 metros borboleta), o Brasil está em sexto no quadro de medalhas, com também duas pratas e quatro bronzes. Os Estados Unidos assumiram a liderança no quadro geral, com 14 ouros, oito pratas e sete bronzes.

7.10.12

Um enigma chamado Nuzman

Foto: Jorge William/Agência O Globo
Nesta sexta-feira, Carlos Arthur Nuzman foi eleito para seu quinto mandato consecutivo na presidência do Comitê Olímpico Brasileiro. Ele ocupa a instância máxima do esporte nacional desde 1995, depois de deixar o comando da Confederação Brasileira de Voleibol. Dos 33 votos disponíveis (o dele próprio; o do vice, André Richer; de João Havelange, presidente de honra da FIFA e ex-membro do Comitê Olímpico Internacional, condição da qual renunciou depois de ser acusado de corrupção no exercício do cargo de presidente da FIFA; além dos presidentes ou representantes de 30 confederações brasileiras de esportes olímpicos), Nuzman, que era candidato único, obteve 30; foram duas abstenções (as dos presidentes da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, e da Confederação Brasileira de Vela e Motor, Carlos Luís Martins) e apenas um voto contrário - o do presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, Eric Maleson, que acusa o COB de perseguição política, por ser a única oposição declarada a Nuzman. É apenas mais um capítulo do festival de polêmicas em que o Comitê Olímpico Brasileiro se envolve, no início do ciclo olímpico que desembocará no Rio de Janeiro, em 2016.
 
O mais novo mandato de Nuzman deverá se encerrar em janeiro de 2017. Cumprindo-o até o fim, superará os 21 anos do primeiro presidente da entidade, Fernando Mendes Almeida (1914-1935) e ficará atrás somente dos 27 de Sylvio de Magalhães Padilha (1963-1990). Nuzman é apenas o oitavo presidente dos 98 anos de história do COB, atravessando uma época em que dinastias, continuísmos e mandatos eternos não fazem mais sentido - notadamente no Brasil, que vive uma democracia há 27 anos ininterruptos. Mas o esporte parece não seguir essa tendência de mudanças e alternâncias de poder, tanto que a grande maioria dos votantes que reelegeram Nuzman presidem suas confederações esportivas há anos, alguns deles há décadas. Os brasileiros se mostram mais realistas do que o rei, visto que o próprio Comitê Olímpico Internacional mudou seu estatuto para limitar os mandatos de seus presidentes - as acusações contra o então presidente Juan Antonio Samaranch (que presidiu o COI durante 21 anos, de 1980 a 2001) o desgastaram de tal forma que a instância máxima do esporte mundial limitou o primeiro mandato do presidente em oito anos, dando a chance de uma única reeleição, por mais quatro anos; o atual presidente, o belga Jacques Rogge, foi eleito em 2001, reeleito em 2009 e passará o cargo em 2013.
 
É inegável que Nuzman fez o esporte olímpico brasileiro crescer durante seu mandato. Até ele assumir o cargo, o Brasil ganhava poucas medalhas em uma única edição olímpica - o recorde no geral tinha sido em 1984, com oito medalhas; o maior número de ouros tinha sido dois, em 1980 e 1992. Logo na primeira Olimpíada sob a presidência de Nuzman, foram quinze medalhas - três delas de ouro. Daí em diante, nunca foram menos do que dez medalhas brasileiras por Olimpíada - este menor número foi em 2004, quando o Brasil obteve cinco ouros, seu recorde até hoje. O fato é que a atual presidência fez o país crescer no cenário olímpico, bem mais do que era antes.
 
Mas esse período, que poderia ser visto como vitorioso, também tem seus percalços. Não há uma política esportiva clara no país, mesmo com o crescimento no número de medalhas olímpicas. Na maior parte das vezes, a delegação brasileira depende de talentos individuais, daqueles que treinam sob seus próprios esforços, quase sempre sem ajuda dos dirigentes. Milhões de reais em dinheiro público, investido há quase duas décadas, não chegam a quem deveriam chegar. Os investimentos não dão retorno, ou o número de medalhas seria bem maior. Um exemplo se deu neste ano, em Londres, quando o número de finais em que brasileiros estiveram envolvidos foi bem menor que tinha sido em Pequim, apesar do maior número de medalhas conquistadas.
 
Para piorar as coisas, a reeleição de Nuzman chega num momento em que o COB vive uma crise de credibilidade. Pouco depois do encerramento dos Jogos Paralímpicos de Londres, chegou ao conhecimento público que o Comitê Organizador dos Jogos da XXXI Olimpíada e dos XV Jogos Paralímpicos Rio 2016 demitiu nove integrantes, acusados de roubo de informações sigilosas pertencentes ao Comitê Organizador dos Jogos de Londres. Apenas isso foi divulgado: não foram revelados detalhes sobre como seriam esses documentos, nem para que eles serviriam, nem mesmo se os demitidos os extraviaram por conta própria ou a mando de algum superior. A pressão da imprensa e da opinião pública fez Nuzman dar uma entrevista coletiva, mas que pouco ou nada esclareceu sobre o ocorrido.
 
Além de presidente do COB, Nuzman também é presidente do Comitê Organizador Rio 2016 - o que não é recomendado por causa do risco de conflito de interesses, apesar de o COI não proibir. Ele também presidiu o Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos de 2007, que, se organizou bem o evento a ponto de credenciar a cidade a sediar os Jogos Olímpicos de 2016, também foi marcado pelo superfaturamento dos locais de prova. O acúmulo de funções lembra algo bem conhecido: Ricardo Teixeira, presidente da CBF durante 23 anos, também era o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014. No começo deste ano, Teixeira renunciou aos dois cargos - hoje ocupados por seu sucessor, José Maria Marin - por conta de sucessivas acusações de corrupção. Se houver acusações parecidas contra Nuzman, que ninguém duvide que o presidente do COB tenha de fazer o mesmo, até para salvar sua recém-manchada biografia...

15.9.12

Entre 2012 e 2016, atenção, expectativa, torcida... e muita cobrança

Encerrados os Jogos da XXX Olimpíada e os XIV Jogos Paralímpicos em Londres, pode-se dizer que a participação brasileira poderia ser melhor nestes primeiros e consolidou sua evolução nestes últimos. Enquanto nos Jogos Olímpicos o Brasil não correspondeu tanto às expectativas levando-se em consideração os altos investimentos do Ministério do Esporte e do Comitê Olímpico Brasileiro, nos Paralímpicos o país dá aos espectadores um grande otimismo para a participação na próxima edição, daqui a quatro anos, quando será o país-sede.

Os atletas olímpicos brasileiros, se não tiveram uma participação considerada pífia (afinal, apesar dos pesares, eles trouxeram o maior número de medalhas em uma edição olímpica: dezessete, três delas de ouro), poderiam ter feito melhor papel, isso é fato. Tivemos excelentes desempenhos em Londres, como a boa fase do judô feminino (que trouxe metade das medalhas brasileiras na modalidade, incluindo a primeira de ouro), do boxe (que trouxe logo três medalhas, o triplo da melhor campanha do país, 44 anos atrás) e do ginasta Arthur Zanetti (primeiro em seu esporte a ganhar uma medalha olímpica entre os brasileiros, o ouro nas argolas). Além disso, vieram o bicampeonato do vôlei feminino e a primeira medalha no pentatlo moderno, modalidade pouco praticada no Brasil. Mas tivemos frustrações em Londres, como os parcos desempenhos em modalidades como atletismo (sem trazer medalhas depois de 20 anos), natação (apenas duas medalhas, uma prata e um bronze, e poucas finais, nenhuma entre as mulheres) e futebol (uma prata entre os homens, sem ver a cor da bola na final contra o México - por sinal, a única seleção ao menos tradicional que os comandados de Mano Menezes enfrentaram nesta Olimpíada -, e a eliminação nas quartas da cada vez mais decadente Seleção feminina, o que reflete a falta de investimentos no futebol feminino no Brasil).

Os atletas paralímpicos, por outro lado, confirmaram a evolução que vem de longo tempo. Apesar de terem conquistado cinco medalhas a menos que em Pequim (42 contra 47), os paratletas brasileiros superaram em cinco ouros seu desempenho de quatro anos atrás (21 contra 16). Os valores individuais continuaram brilhando (como o nadador Daniel Dias e os velocistas Terezinha Guilhermina e Alan Fonteles, entre outros), mas várias modalidades coletivas também tiveram seu valor, como a tricampeã seleção de futebol de cinco e a vice-campeã seleção masculina de golbol. O país conseguiu sua meta de terminar entre os sete primeiros colocados no quadro de medalhas em Londres, o que dá a esperança em terminar entre os cinco primeiros daqui a quatro anos, em casa. Só tem que se preocupar com a renovação dos valores individuais, já que na natação, por exemplo, apenas Daniel Dias e André Brasil - que conquistaram todos os ouros brasileiros na modalidade - tiveram participações de destaque.

No mais, foram duas campanhas bem distintas, é o que se percebe. Se nos Jogos Paralímpicos o Brasil acabou em sétimo lugar (21 ouros, 14 pratas e oito bronzes), nos Olímpicos terminara em 22º (três ouros, cinco pratas e nove bronzes). Pouco surpreendente levando-se em consideração a média de ouros olímpicos conquistados pelo país nas mais recentes edições (os Jogos de 2004, em Atenas, foram a exceção, com o recorde de cinco ouros). Mas ainda é pouco se levarmos em conta que o Brasil sediará a próxima edição olímpica, em 2016. Nos últimos ciclos olímpicos, o país-sede da Olimpíada seguinte costuma fazer boas campanhas - se bem que foram países de tradição esportiva consolidada, como os Estados Unidos em 1992 (37 ouros), a Austrália em 1996 (nove ouros), a Grécia em 2000 (quatro ouros), a China em 2004 (32 ouros) e a Grã-Bretanha em 2008 (19 ouros). A última vez em que o país-sede da Olimpíada seguinte fez uma campanha discreta foi em 1988, com a Espanha: em Seul, os atletas espanhóis conquistaram apenas um ouro, uma prata e dois bronzes (para efeito de comparação, o Brasil ganhou uma prata e um bronze a mais), terminando em 25º lugar no quadro de medalhas. Em compensação, nos Jogos de Barcelona, em 1992, os anfitriões aproveitaram bastante o fator casa: 13 ouros, sete pratas e dois bronzes, com o sexto lugar na classificação final. Nos Jogos seguintes, os de 1996, em Atlanta, a Espanha manteve o pique: cinco ouros, seis pratas e seis bronzes, 13º lugar no final.

O fato de ser o anfitrião, com a torcida a favor, pode ser um trunfo brasileiro no Rio: basta lembrar da campanha nos Jogos Pan-Americanos de 2007. O nível técnico certamente não serve de parâmetro, mas o retrospecto recente conta muito. O que muitos temem, porém, é o excesso de expectativas sobre os atletas, que podem decepcionar muitos se não conquistarem a medalha de ouro. A campanha olímpica brasileira em Londres recebeu críticas por não dar o retorno dos altos investimentos do Governo Federal, do Ministério do Esporte, do Comitê Olímpico Brasileiro e de várias empresas, com direito a aluguel do Crystal Palace para aclimatação e treinamento. Agora, o governo da presidente Dilma Rousseff lançou um plano de investimentos de um bilhão de reais visando colocar o país entre os dez primeiros no quadro de medalhas dos próximos Jogos Olímpicos, e entre os cinco nos Paralímpicos. Sempre há temores quando dinheiro público está sendo investido em algo que dificilmente dará o retorno esperado, ainda mais levando-se em conta a larga história de desvio de dinheiro para meios ilícitos. Fiquemos de olho, portanto.

28.8.12

O movimento paralímpico volta a suas origens

Foto: London2012.com
Terá início nesta quarta-feira, com a cerimônia de abertura a ser realizada no Estádio Olímpico de Londres, a 14ª edição dos Jogos Paralímpicos, o maior evento esportivo para portadores de deficiência - seja ela física, mental ou sensorial. Ao chegar a terras britânicas, os Jogos retornam ao lugar cujo conceito teve suas origens.
 
Afinal, foi no final dos anos 40 do século passado, na cidade inglesa de Stoke Mandeville, que foram disputadas as primeiras competições entre cadeirantes, majoritariamente feridos da Segunda Guerra Mundial - a primeira edição dos Jogos de Stoke Mandeville, atualmente conhecidos como Jogos Mundiais Esportivos para Cadeirantes e Amputados, foi disputada em 28 de julho de 1948, véspera da abertura dos Jogos da XIV Olimpíada, na capital Londres. Era um torneio de tiro com arco com cadeirantes e apenas 16 atletas (14 homens e duas mulheres). A competição, inicialmente apenas britânica, tornou-se internacional com a participação de uma equipe holandesa em 1952. Oito anos mais tarde, em 1960, a nona edição dos Jogos Anuais Internacionais de Stoke Mandeville foi disputada em Roma, que havia sediado os Jogos Olímpicos pouco antes. A cada quatro anos, até 1972, os Jogos de Stoke Mandeville foram disputados no mesmo país dos Jogos Olímpicos (à exceção de 1968, quando o México declarou não ter condições e, por isso, a cidade israelense de Tel Aviv foi a sede), sempre apenas por cadeirantes. A edição de 1972 - disputada em Heidelberg, na Alemanha Ocidental - foi a primeira a contar com a participação do Brasil, e também a última vinculada aos Jogos de Stoke Mandeville, ganhando vida própria em 1976, em Toronto, no Canadá, quando estrearam os atletas amputados e deficientes visuais. No começo daquele mesmo ano, na cidade sueca de Örnsköldsvik, foi realizada a primeira versão para esportes de inverno.
 
Em 1984, os Jogos Internacionais para Deficientes (como o evento era chamado na época) foram divididos entre dois países, pela única vez até hoje: a britânica Stoke Mandeville, onde o paradesporto nasceu, recebeu os atletas cadeirantes com lesões na coluna, enquanto Nova Iorque, nos Estados Unidos, sediou as demais modalidades. Em 1988, foi cunhado o termo Jogos Paralímpicos para definir a maior competição mundial para atletas portadores de deficiência. Seul, na Coreia do Sul, que recebera a Olimpíada, sediou a Paralimpíada com sucesso. Dali em diante, os Jogos Paralímpicos seriam realizados sempre na mesma cidade em que foram realizados os Jogos Olímpicos.
 
Em setembro de 1989, foi criado o Comitê Paralímpico Internacional, instância máxima do paradesporto mundial. Ficou definido que os IX Jogos Anuais Internacionais de Stoke Mandeville, disputados em 1960, na cidade de Roma, foram os I Jogos Paralímpicos. Além de 1968, apenas em 1980 (em Arnhem, na Holanda) a Paralimpíada não foi disputada no mesmo país dos Jogos Olímpicos (naquele ano realizados em Moscou, na União Soviética). Mas os Jogos de Stoke Mandeville nunca pararam de ser disputados - ampliaram-se e são realizados até hoje, de forma bienal (sempre nos anos ímpares), ganhando itinerância - o Rio de Janeiro, que sediaria os Jogos Parapan-Americanos de 2007 e receberá a Paralimpíada de 2016, sediou o evento em 2005, o primeiro a contar também com a participação de atletas amputados.
 
Os XIV Jogos Paralímpicos começarão nesta quarta e irão até o dia 9 de setembro. Cerca de 4.200 atletas disputarão medalhas em 20 modalidades (atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, ciclismo paralímpico, esgrima em cadeira de rodas, futebol de cinco, futebol de sete, golbol, halterofilismo deitado, hipismo, judô, natação, remo, rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, tiro, tiro com arco, vela e vôlei sentado).
 
Na Paralimpíada de Pequim, em 2008, a China obteve o maior número de medalhas de ouro, com 89 (211 no total), com a Grã-Bretanha em segundo, com 42 ouros, e os Estados Unidos em terceiro, com 36 ouros. O Brasil, maior potência paralímpica entre os países latino-americanos, ficou em nono lugar, com 16 ouros, 14 pratas e 17 bronzes (47 medalhas no total). As expectativas dos paratletas brasileiros em Londres são boas, principalmente porque a edição seguinte será no Rio de Janeiro, de 7 a 18 de setembro de 2016.

7.7.12

Rodrigo Pessoa será o porta-bandeira brasileiro nos Jogos

Foto: Cezar Loureiro/Agência O Globo
O Comitê Olímpico Brasileiro anunciou nesta sexta-feira que o cavaleiro Rodrigo Pessoa será o porta-bandeira da delegação brasileira na cerimônia de abertura dos Jogos da XXX Olimpíada, no próximo dia 27, no Estádio Olímpico de Londres. Foi feita justiça a um dos maiores vencedores do hipismo, com vários títulos conquistados em mais de trinta anos de carreira.

Esta é a sexta Olimpíada de Pessoa - na primeira, em 1992, foi colega de equipe do próprio pai, o cavaleiro Nelson Pessoa Filho. Sua primeira medalha olímpica foi conquistada quatro anos mais tarde, com o bronze na competição por equipes, o que seria repetido em 2000 - o mesmo ano em que sofreu um dos maiores fiascos de sua carreira, com a refugada do cavalo Baloubet du Rouet, com quem tinha sido campeão mundial dois anos antes. Porém, a redenção viria nos Jogos de Atenas, em 2004, com o ouro obtido na prova individual (acima). Completam o seu laurel quatro medalhas pan-americanas: dois ouros por equipes (1995 e 2007), uma prata no individual (2007) e outra por equipes (2011).

Rodrigo Pessoa será o primeiro cavaleiro a empunhar a bandeira do Brasil numa cerimônia de abertura de Jogos Olímpicos. O atletismo é, com folga, o esporte que mais teve porta-bandeiras brasileiros: nove vezes - a mais recente em 1996, nos Jogos de Atlanta, com o fundista Joaquim Cruz, ouro nos 800 metros rasos em 1984 e prata na mesma prova em 1988. A única mulher a ser porta-bandeira numa Olimpíada de Verão até hoje foi Sandra Pires, do vôlei de praia, em 2000. Em 2004 e 2008, a bandeira brasileira foi carregada por iatistas (Torben Grael e Robert Scheidt, respectivamente).

7.5.12

Crise financeira, boicotes, medo de deserção: a debacle do esporte cubano

Foto: Divulgação

No Pré-Olímpico Feminino das Américas do Norte e Central de Vôlei, a República Dominicana obteve vaga direta para Londres ao derrotar a tricampeã olímpica Cuba por 3 a 1 (25/18, 25/23, 27/29 e 25/20). Às cubanas, restaria lutar pela vaga no Pré-Olímpico Mundial que será disputado no Japão, a partir do próximo dia 19. Mas a tendência é que Cuba não o dispute, alegando problemas financeiros. Caso isso seja confirmado, será a primeira ausência das Morenas do Caribe no torneio olímpico feminino de vôlei desde 1988, quando Cuba boicotou as Olimpíadas de Seul, em suposta solidariedade à Coreia do Norte. Desde que retornou às Olimpíadas, foram três ouros (1992, 1996 e 2000), um bronze (2004) e um quarto lugar (2008).

Na verdade, muito mais do que o fechamento das torneiras provocado pelo colapso da União Soviética no começo dos anos 1990, o que provoca a decadência do esporte cubano (que vem se acentuando nos últimos anos) é o forte componente social-político. Uma ditadura comunista de mais de cinco décadas, a mais longa do Hemisfério Ocidental, o regime cubano segue com a proibição da profissionalização esportiva, algo extremamente anacrônico nos dias de hoje. Com isso, segue forte o número de esportistas cubanos que desertam de delegações do país, buscando garantir o futuro através de suas capacidades físicas. Um forte indício disso foi a não participação cubana nos Jogos Centro-Americanos e do Caribe de 2010, disputados na cidade porto-riquenha de Mayagüez.

Mas as consequências da crise financeira que atinge a ilha caribenha e a falta de investimentos no esporte do país são ainda mais evidentes: as Olimpíadas de 2008, em Pequim, foram as piores de Cuba em 40 anos, com apenas duas medalhas de ouro conquistadas (pela primeira vez desde 1960, os cubanos terminaram atrás do Brasil, que ganhou um ouro a mais, no quadro geral de medalhas). Nos Jogos Pan-Americanos, em que Cuba é a única grande potência olímpica a mandar força máxima, a situação também é grave: a última participação digna de registro foi em 2003, em Santo Domingo, na vizinha República Dominicana, com 72 ouros. Em 2007, no Rio, a quantidade de ouros já despencou para 59. A edição de 2011, em Guadalajara, com 58 ouros, foi a pior para o país desde 1975. Os cubanos ficaram na segunda colocação que costumam ocupar sempre no quadro, mas tiveram que cortar um dobrado para lutar por ela contra o Brasil, até os últimos dias do evento (o boxe foi a salvação da lavoura).

Pode-se dizer que a força de vontade dos esportistas cubanos, tendo que lutar contra tantas adversidades como falta de dinheiro, adiou por alguns anos a queda de rendimento do país em competições internacionais. Mas o temor de abandono de atletas das delegações do país mostra a cara do regime em toda a sua intransigência. Ou Cuba muda esse pensamento retrógrado e altamente prejudicial aos seus cidadãos - independentemente de serem atletas ou não -, ou a situação apenas irá piorar nos próximos anos.

12.11.11

Em Guadalajara, todos os limites serão superados


Depois do sucesso dos XVI Jogos Pan-Americanos, encerrados no último dia 30, a cidade mexicana de Guadalajara voltará a receber uma grande festa do esporte nas Américas. Desta vez, será a quarta edição dos Jogos Parapan-Americanos, que começa com a cerimônia de abertura neste sábado, no Estádio Pan-Americano de Atletismo.

Será a segunda vez em que o México receberá o evento - o primeiro Parapan da história foi lá, na Cidade do México (sede do Pan em 1955 e 1975), em 1999. Mar del Plata, que recebeu o Pan em 1995, sediou a segunda edição, em 2003. Mas desde 2007, quando o Parapan foi disputado no Rio de Janeiro, a competição é disputada sempre na mesma cidade que recebera o Pan no mesmo ano, nos moldes do que acontece desde 1988 nas Paraolimpíadas.

Em Guadalajara, competirão quase 1.400 atletas de 23 países. Serão disputadas medalhas em 13 modalidades (atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, ciclismo, futebol de cinco, golbol, halterofilismo deitado, judô, natação, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco e vôlei sentado). A grande maioria das competições será classificatória para os Jogos Paraolímpicos de 2012, em Londres.

O grande destaque deste Parapan deverá ser a briga pela liderança histórica entre mexicanos e brasileiros. Nos três Parapans disputados até hoje, os dois países ganharam o maior número de medalhas de ouro, com os anfitriões deste ano estando apenas três ouros à frente dos anfitriões anteriores (259 do México contra 256 do Brasil). Há quatro anos, disputando em casa, o Brasil obteve o maior número de ouros: 83, com 68 pratas e 77 bronzes. O Canadá foi o segundo colocado no quadro de medalhas, com 49 ouros (112 no total). Estados Unidos e México ficaram com 37 ouros cada, mas os norte-americanos ganharam uma prata a mais (44 a 43).

26.10.11

Mil vezes Brasil


O Brasil ganhou seis medalhas nesta terça-feira, nos Jogos Pan-Americanos. Com isso, são 29 ouros, 20 pratas e 32 bronzes, o que faz com que o país se mantenha na segunda colocação.

Uma medalha de ouro merece menção especial, por ser a milésima conquistada pelo Brasil nos 60 anos de história dos Jogos Pan-Americanos. A ginástica artística teve um dia glorioso com o ouro conquistado pela equipe masculina, quatro anos depois da amarga prata no Rio (a equipe campeã daquele ano, a de Porto Rico, desta vez acabou em segundo, enquanto os Estados Unidos terminaram com o bronze). Além disso, quatro ginastas se classificaram para as finais individuais (Sérgio Sasaki Júnior fará as finais do individual geral - juntamente com Petrix Barbosa -, no cavalo, nas paralelas e no solo, nesta juntamente com o bicampeão mundial Diego Hypolito, também classificado para o salto; Arthur Zanetti fará a final nas argolas).

No atletismo, Rosângela Santos foi a mulher mais rápida deste Pan, ao conquistar o ouro nos 100 metros rasos, com o tempo de 11"22. A norte-americana Barbara Pierre foi prata, com 11"25, e a barbadiana Shakera Reece foi bronze, com 11"26. A outra brasileira na final, Ana Cláudia Lemos, acabou em quarto, com 11"35. Uma velocista brasileira conquistou o ouro num Pan depois de 28 anos: Esmeralda Garcia foi campeã em 1983, nos Jogos de Caracas.

Quatro medalhas de bronze foram ganhas pelos brasileiros nesta terça: no boxe, Robenílson de Jesus (na categoria até 56 quilos) e o campeão mundial amador Everton Lopes (até 64 quilos) foram derrotados em suas semifinais, mas subiram ao pódio. Na esgrima, Guilherme Toldo também foi terceiro no florete. No basquete feminino, o Brasil derrotou a Colômbia por 87 a 48, ficando com o bronze - na final, Porto Rico derrotou o México por 85 a 67.

No polo aquático, as seleções brasileiras também venceram, garantindo vaga nas semifinais. No masculino, 19 a 10 na Venezuela - o próximo adversário será o Canadá, enquanto Estados Unidos e Cuba se enfrentam. No feminino, 10 a 3 também sobre as venezuelanas - na semifinal, haverá o difícil encontro contra os Estados Unidos, com a outra partida sendo entre Canadá e Cuba.

Na segunda rodada do vôlei masculino, o Brasil derrotou Porto Rico por 3 a 0 (25/22, 25/14 e 25/18) e praticamente garantiu vaga nas semifinais - para isso, precisa vencer apenas um set na partida contra os Estados Unidos, que perderam para o Canadá por 3 a 2 (21/25, 25/23, 37/39, 35/33 e 15/12).

No futebol, mais uma vez nossas mulheres salvaram a pátria enquanto os homens passaram vexame. Na semifinal disputada no Estádio Omnilife, o Brasil derrotou o México por 1 a 0, com gol de Maurine aos 34 minutos do segundo tempo. As brasileiras tentarão o tricampeonato pan-americano contra o Canadá, que venceu a Colômbia por 2 a 1.

Foto: Vipcomm

11.9.11

Um retorno histórico!


O basquete masculino do Brasil está de volta ao convívio da maior festa esportiva mundial depois de 16 anos. Num jogo emocionante, os brasileiros derrotaram a seleção da República Dominicana por 83 a 76, classificando-se para a final da Copa América de Basquete, na cidade argentina de Mar del Plata, e garantindo vaga nos Jogos Olímpicos, o que não acontecia desde 1996, quando acabou em sexto lugar.

Bicampeão mundial (1959 e 1963) e três vezes medalhista olímpico (bronze em 1948, 1960 e 1964), o Brasil sempre teve no basquete um de seus esportes mais populares. O torneio de basquete dos Jogos Olímpicos é disputado desde 1936, e até doze anos atrás o país tinha ficado ausente uma única vez (nos Jogos de 1976, em Montreal). Porém, uma crise sem precedentes, tanto política quanto estrutural, abalou fortemente a modalidade, que perdia apenas para o futebol na preferência popular brasileira. O Brasil ficou fora de três Olimpíadas consecutivas, e era só vexame nos Campeonatos Mundiais (o fundo do poço foi alcançado em 2006, quando não passou da primeira fase). O campeonato nacional era um fracasso de público e de crítica.

Em 2009, porém, as coisas começaram a mudar. A Liga Nacional de Basquete surgiu para organizar um torneio forte e que desse retorno, com os frutos começando a ser colhidos em pouco tempo. A Seleção voltou a fazer atuações convincentes. A CBB, com novo mandato e marcando uma nova era, contratou como treinador o argentino Rubén Magnano, técnico campeão olímpico em 2004 por seu país. Aos poucos, o orgulho de defender a seleção brasileira voltava. Mesmo quando jogadores se recusavam a defender a Seleção, a equipe nacional recebeu atletas comprometidos a fazer grandes partidas e a lutar por grandes conquistas. Neste sábado, alcançaram a que, por enquanto, é a maior delas: a vaga olímpica.

O Brasil enfrentará na grande final a Argentina, que em um jogo dramático venceu Porto Rico por 81 a 79. A Seleção defenderá o título da Copa América conquistado em 2009, tentando ganhar a competição pela quarta vez (foi campeão também em 1984 e em 2005). A Argentina foi campeã uma vez, em 2001, também em casa (naquela ocasião, em Neuquén) e derrotando o Brasil na final.

Brasileiros e argentinos se juntam no torneio masculino de basquete das Olimpíadas de Londres a Grã-Bretanha (país-sede), Estados Unidos (campeões mundiais de 2010), Tunísia (campeã africana) e Austrália (campeã da Oceania). Até o final do mês, mais três países se classificarão: os dois finalistas do Campeonato Europeu, que está sendo disputado na Lituânia, e o campeão asiático, que será definido na China.

Em julho do ano que vem, será disputado o Pré-Olímpico Mundial, em local a ser definido pela FIBA. Eliminados nas semifinais da Copa América, Porto Rico e República Dominicana se juntarão à Venezuela como representantes das Américas no torneio que decidirá quem irá ficar com as três últimas vagas para Londres. Também estão classificados Angola, Nigéria (respectivamente, vice-campeã e terceira colocada do Campeonato Africano) e Nova Zelândia (vice-campeã da Oceania). Quatro seleções europeias e duas asiáticas completarão o torneio de última chamada para as Olimpíadas.

Foto: AFP

14.7.11

As casernas se movimentam



Terão início oficialmente neste sábado, com a cerimônia de abertura no Estádio Olímpico João Havelange, os quintos Jogos Mundiais Militares, a mais nova edição de uma competição poliesportiva que cresce a cada evento (um dia antes, acontecerá a primeira rodada do torneio de futebol).


A competição é organizada pelo Conselho Internacional dos Esportes Militares desde 1995 (ano do cinquentenário do fim da Segunda Guerra Mundial), quando a primeira edição foi disputada em Roma, na Itália. O evento é disputado por atletas militares de todo o planeta, e por vários outros atletas de renome que são inscritos nas Forças Armadas de seus países com a intenção de disputá-lo.


No Rio, quase 5 mil atletas de 108 países competirão por medalhas em 20 modalidades esportivas, sendo que cinco delas exclusivamente militares (orientação, paraquedismo, pentatlo aeronáutico, pentatlo militar e pentatlo naval). As outras 15 podem ser vistas em qualquer competição paradesportiva (atletismo, basquete, boxe, esgrima, futebol, hipismo, judô, natação, pentatlo moderno, taekwondo, tiro, triatlo, vela, vôlei e vôlei de praia). Os organizadores cariocas, que usarão grande parte das instalações utilizadas nos Jogos Pan-Americanos de 2007, pretendem fazer com que esta competição seja o primeiro grande evento-teste para os Jogos Olímpicos de 2016.


Na mais recente edição dos Jogos Mundiais Militares, disputada em 2007 na cidade indiana de Hyderabad, a Rússia terminou na liderança do quadro de medalhas, com 42 ouros, 29 pratas e 29 bronzes (100 medalhas no total), seguido de China (38 ouros) e Alemanha (7 ouros). O Brasil ficou na 33ª colocação, com duas pratas e um bronze. Apesar disso, o país anfitrião deste ano tem a meta de terminar pelo menos entre os cinco primeiros colocados no quadro de medalhas.


As competições irão até o dia 24.

1.2.11

A América do Sul e o futebol olímpico

Está em disputa na cidade peruana de Arequipa a fase final do Sul-Americano de Futebol Sub-20, que classificará quatro seleções para o Pan de Guadalajara e o Mundial da categoria, na Colômbia (já classificada para esta competição), além do campeão e do vice para os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. É a continuação de uma história que vem desde 1924, quando o futebol sul-americano estreou em Olimpíadas já conquistando o ouro, com o Uruguai - que conquistaria o bi em 1928, numa final sul-americana contra a Argentina, formando o grande clássico do futebol mundial na época, que decidiria também a primeira Copa do Mundo, em 1930.

Os uruguaios conquistaram o ouro nas duas únicas vezes em que disputaram a competição. Já a Argentina demorou bem mais para subir ao lugar mais alto do pódio. Depois de mais quatro Olimpíadas (1960 e 1964, eliminada na primeira fase; 1988, eliminada pelo Brasil nas quartas; e 1996, quando ficou com a medalha de prata), os argentinos foram campeões com 100% de aproveitamento (seis vitórias em seis partidas) e sem sofrer gols em 2004, na melhor campanha da história da competição. Não satisfeitos, conquistaram o bi em 2008, tornando-se a mais bem sucedida seleção sul-americana no Torneio Olímpico de Futebol.

As demais equipes que tentam vagas para Londres também têm histórias acidentadas em Olimpíadas. O Brasil só foi disputar a competição pela primeira vez em 1952, chegando às quartas de final. Voltou oito anos mais tarde, sendo presença constante até 1976, quando acabou em quarto lugar (apesar de nunca ter passado da primeira fase de 1960 a 1972). De lá para cá, participações ainda irregulares, ficando de fora em 1980, 1992 e 2004. Mas quatro medalhas foram conquistadas pela Seleção: duas pratas (1984 e 1988) e dois bronzes (1996 e 2008). Ou seja: o ouro é a atual obsessão do futebol pentacampeão do mundo.

O Chile disputou a competição quatro vezes. Depois de campanhas discretas em 1928, 1952 e 1984, os chilenos surpreenderam com o bronze em 2000 - isso graças a uma goleada de 9 a 0 do Brasil sobre a Colômbia, que ajudou os chilenos a se classificarem à fase final do Pré-Olímpico. Quatro vezes também disputaram os próprios colombianos, em 1968, 1972, 1980 e 1992 - contudo, sem passar da primeira fase em nenhuma delas.

A única seleção sul-americana, das que estão na fase final do Sul-Americano Sub-20, que nunca disputou o futebol olímpico até hoje é a do Equador (a outra é a Bolívia; o Paraguai participou em 1992, quando chegou às quartas, e em 2004, quando foi prata, conquistando a única medalha olímpica da história do país; o Peru jogou em 1936 e 1960; e a Venezuela disputou uma vez, em 1980). Porém, os equatorianos são os atuais campeões pan-americanos (ganharam o ouro em 2007, no Rio), no único título oficial de sua história. Quem sabe não pinta uma surpresa nessa reta final (ainda mais que o Equador venceu a Argentina na primeira rodada do hexagonal decisivo)? Mas o Brasil terá que estar sempre à espreita.

12.11.10

A Ásia desafia seus campeões



Sim, as competições começaram no domingo passado, com o torneio masculino de futebol. Mas a 16ª edição dos Jogos Asiáticos começa para valer nesta sexta-feira, com a cerimônia de abertura, que será realizada na ilha de Haixinsha, em Cantão (também chamada de Guangzhou), província de Guangdong, na China. É a continuação da história de uma das mais tradicionais competições esportivas do planeta, que rivaliza com os Jogos Pan-Americanos para ser a segunda em importância, atrás apenas dos Jogos Olímpicos.

Pelo menos o ano da edição inaugural foi o mesmo de seu congênere americano: 1951, na capital indiana, Nova Délhi (que sediou também em 1982). Três cidades sediaram os Jogos Asiáticos antes de sediarem as Olimpíadas: Tóquio (em 1958), Seul (em 1986) e Pequim (em 1990). Mas a cidade que sediou mais vezes o evento foi Bangcoc, na Tailândia: quatro vezes (em 1966, 1970, 1978 e 1998), algumas vezes por desistência de outras cidades do continente.

Em 1954, na segunda edição (disputada em Manila, nas Filipinas), os Jogos Asiáticos começaram a ser disputados dois anos antes das Olimpíadas, situação que se manterá até 2014. A partir de 2019, a competição será realizada no ano anterior ao dos Jogos Olímpicos, no mesmo ano de eventos como os Jogos Pan-Americanos e os Jogos Africanos.

Nestes 59 anos de disputas, a China foi o país que mais ganhou medalhas: 991 de ouro (portanto, deverá chegar à milésima em seus domínios), 673 de prata e 472 de bronze - 2.136 no total. O Japão vem em segundo, com 862 de ouro, e a Coreia do Sul é a terceira, com 541 de ouro. No extremo oposto, vêm Butão, Maldivas e Timor Leste, que nunca conquistaram uma medalha sequer. Na mais recente edição, a de 2006 (em Doha, no Catar), os chineses terminaram em primeiro, com 166 medalhas de ouro - seguidos de longe pelos sul-coreanos, que obtiveram 58 ouros, e pelos japoneses, com 50.

Em 2010, atletas de 45 países disputarão medalhas em 42 modalidades - várias delas não olímpicas, como o caratê, o xadrez e vários esportes regionais. As competições irão até o dia 27.

2.10.10

Os Jogos do Império em que o Sol nunca se põe



Começa neste domingo, na cidade indiana de Nova Délhi, a 19ª edição dos Jogos da Comunidade Britânica, disputados pelos países que mantêm relações comerciais e históricas com o Reino Unido. Mais de seis mil atletas de 71 nações (entre países independentes, colônias e possessões britânicas) disputarão medalhas em 17 modalidades esportivas - de olímpicas, como atletismo, natação, ginástica artística e, futuramente, o rúgbi de sete, a netbol e bocha ao ar livre (lawn bowls), os dois esportes não olímpicos do evento.

Participam os países-membros da Comunidade Britânica (o que inclui alguns que nunca foram colonizados pela Grã-Bretanha, como Chipre e Moçambique) - curiosamente, os países que formam o Reino Unido (Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales) competem separadamente, ao contrário do que ocorre nos Jogos Olímpicos. A competição marca a estreia de Ruanda, país africano que se filiou à organização no ano passado. O evento é disputado desde 1930 (a cidade canadense de Hamilton sediou a primeira edição), tornando-se uma das mais tradicionais competições esportivas do planeta. Tanto que inspirou a criação de outros eventos entre países que falam o mesmo idioma, como os Jogos da Francofonia (disputados desde 1989) e da Lusofonia (que começaram em 2006).

A mais recente edição foi em 2006, em Melbourne, na Austrália - os anfitriões terminaram em primeiro lugar, com 84 ouros, seguidos de longe pela Inglaterra, com 36, e pelo Canadá, com 26. A Índia, sede deste ano, foi a quarta colocada com 22 medalhas de ouro.

19.3.10

A festa do esporte na América do Sul



Tem início oficial hoje (apesar de várias modalidades terem sido disputadas nesta semana), com a cerimônia de abertura no Estádio Atanasio Girardot, na cidade colombiana de Medellín, a 9ª edição dos Jogos Sul-Americanos. É a maior competição da Odesur (Organização Desportiva Sul-Americana), que é a entidade esportiva da América do Sul. Disputam o evento todos os 12 países sul-americanos, além de Antilhas Holandesas, Aruba e Panamá.

A primeira edição foi disputada em 1978, em La Paz, na Bolívia. A Argentina acabou em primeiro lugar, com 91 medalhas de ouro, 53 de prata e 45 de bronze; o Brasil foi o oitavo, com uma única medalha de ouro conquistada. Falando a verdade, o Brasil nunca deu muita importância à competição até 2002, quando a argentina Córdoba (por problemas financeiros) e, posteriormente, a colombiana Bogotá (por problemas de segurança) tiveram o direito de sediar os Jogos retirados pela Odesur. Então, o Brasil se ofereceu para sediar o evento, tendo que dividi-lo em quatro cidades (Belém, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo). Os Jogos foram bem sucedidos e, dizem, colaboraram bastante para que a ODEPA escolhesse o Rio como sede dos Jogos Pan-Americanos de 2007, derrotando a norte-americana San Antonio (então a grande favorita), naquele mesmo ano. Os Jogos Sul-Americanos de 2002 marcaram o melhor desempenho do Brasil na competição: 148 medalhas de ouro, 95 de prata e 90 de bronze.

Os argentinos lideram o quadro histórico de medalhas dos Jogos Sul-Americanos, com 742 medalhas de ouro conquistadas; o Brasil vem em segundo, de longe, com 406 ouros. Na mais recente edição, disputada em 2006, em Buenos Aires, os donos da casa também acabaram em primeiro, com 107 ouros. A Venezuela acabou em segundo, com 98; a Colômbia em terceiro, com 97; e o Brasil em quarto, com 96 medalhas de ouro.

Oito anos depois de sua capital perder o direito, os colombianos sediam os Jogos Sul-Americanos pela primeira vez em sua história. Esta promete ser a melhor edição da história do evento, com mais de 3.700 atletas de 15 países disputando medalhas em 42 modalidades esportivas (várias delas não olímpicas, como o esqui aquático, o futsal e a patinação, tanto a artística quanto a de velocidade). O encerramento será no dia 30.

27.2.10

A revanche, pela disparada

Amanhã, será disputada a final olímpica masculina do hóquei sobre o gelo, entre Estados Unidos e Canadá. Os dois países fazem o maior clássico da modalidade em todo o mundo - algo como Brasil x Argentina no futebol. Os canadenses contam com o apoio da torcida para se isolarem na liderança da galeria dos campeões olímpicos do hóquei sobre o gelo - estão empatados com a antiga União Soviética, cada um com sete ouros (o Canadá foi campeão de 1920 - na única vez em que o esporte figurou numa Olimpíada de Verão - a 1932, e em 1948, 1952 e 2002). Os Estados Unidos tentam o tri (e o primeiro ouro fora de casa: ganhou em 1960, em Squaw Valley, e em 1980, em Lake Placid - no chamado Milagre no Gelo, em que os norte-americanos venceram na fase final a então imbatível seleção soviética, que havia ganho as quatro Olimpíadas anteriores, e ganharia as duas seguintes, além do ouro ganho pela Comunidade dos Estados Independentes em 1992).

A grande final é uma revanche que move as duas seleções: na primeira fase, os canadenses perderam por 5 a 3 para os norte-americanos, que venceram os vizinhos depois de 30 anos em Olimpíadas; na final feminina, as donas da casa derrotaram os Estados Unidos por 2 a 0 e sagraram-se tricampeãs olímpicas. Nas semifinais masculinas, os norte-americanos golearam a Finlândia por 6 a 1, sem fazer muito esforço; já os canadenses tiveram mais dificuldades: depois de marcarem três gols nos dois primeiros períodos, deixaram a seleção da Eslováquia encostar no placar no período final; porém, venceram por 3 a 2. Todavia, esta final vale bem mais do que uma medalha de ouro no maior clássico do hóquei mundial - vale a disparada no quadro geral de medalhas das Olimpíadas de Inverno.

Superando as expectativas mais otimistas, o Canadá lidera o quadro de medalhas na véspera do encerramento das Olimpíadas - até o momento, os anfitriões ganharam 13 ouros, 7 pratas e 5 bronzes. A Alemanha está em segundo, com 10 ouros, e os Estados Unidos em terceiro, com 9 ouros. As medalhas canadenses vêm de todos os lugares - na patinação de velocidade, na patinação artística, e também no curling, onde conquistaram o ouro no masculino, graças a uma vitória por 6 a 3 sobre a Noruega na final; o bronze ficou com a Suíça, que venceu a Suécia por 5 a 4 numa disputa emocionante. Nada mau para um país que não tinha conquistado nenhuma medalha de ouro como anfitriã olímpica.

24.2.10

Uma dupla da patinação faz história em casa

Nesta segunda-feira, um fato histórico orgulhou os canadenses nos Jogos Olímpicos de Inverno: pela primeira vez, uma dupla do Canadá conquistou a medalha de ouro na patinação artística (a mais popular das modalidades olímpicas de inverno), categoria dança no gelo. Tessa Virtue e Scott Moir sagraram-se campeões no Pacific Coliseum de Vancouver, com uma apresentação arrebatadora na rodada final, quando as duplas executam a dança livre (são três rodadas; na primeira, há o exercício obrigatório com uma música pré-definida; na segunda, há a dança original). Os norte-americanos Meryl Davis e Charlie White ficaram com a prata; os russos Oksana Domnina e Maxim Shabalin ganharam o bronze.

A patinação artística foi disputada nas Olimpíadas de Verão de 1908 e 1920, e está presente em Olimpíadas de Inverno desde a primeira edição, em 1924 - mas a dança no gelo só estreou no programa olímpico em 1976, em Innsbruck. Patinadores da antiga União Soviética dominam esta modalidade (seja sob a bandeira soviética, até 1988; a da Equipe Unificada, ou Comunidade dos Estados Independentes, em 1992; ou a da Rússia, desde 1994) - esta é apenas a terceira vez em que não-russos ganham o ouro na dança no gelo. Nos Jogos de Sarajevo, em 1984, o alto do pódio foi ocupado pelos britânicos Jayne Torvill e Christopher Dean; em 2002, em Salt Lake City, o ouro foi ganho pelos franceses Marina Anissina e Gwendal Peizerat.

19.2.10

A ensolarada Austrália, país olímpico por natureza. Até no inverno!

Ontem, a Austrália ganhou sua segunda medalha (a primeira de ouro) nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Vancouver. Torah Bright (foto) foi a campeã no snowboard halfpipe, categoria de manobras acrobáticas sobre a prancha, semelhante ao skate. Ela é a atual bicampeã no superpipe nos Jogos Radicais de Inverno, em Aspen, nos Estados Unidos. Antes, entre os homens, Dale Begg-Smith, ouro em 2006, havia conquistado a prata no esqui estilo livre - na prova em que o local Alexandre Bilodeau havia se tornado o primeiro atleta canadense a se sagrar campeão olímpico em casa. Aliás, a participação australiana nas Olimpíadas de Inverno impressiona para um país em que quase não cai neve: o país levou 40 atletas, que competem em 11 modalidades. Afinal, qual o segredo dos australianos para serem tão fortes, não importa a temperatura? Uma resposta pode ser o alto investimento do país e de seus atletas, que costumam treinar em locais nevados no próprio país (como a Nova Gales do Sul, estado natal de Bright) ou no exterior.

A primeira medalha conquistada pela Austrália numa Olimpíada de Inverno foi em 1994, em Lillehammer, na Noruega: o bronze no revezamento masculino de 5.000 metros na patinação de velocidade em pista curta. Na equipe, estava Steven Bradbury, que se tornaria o primeiro australiano (e também o primeiro atleta do Hemisfério Sul) campeão olímpico de inverno, nos 1.000 metros em pista curta (individual), nos Jogos de Salt Lake City, em 2002 - no mesmo ano, Alisa Camplin também ganharia o ouro, no esqui estilo livre, pelo qual seria bronze em 2006, em Turim. Nos Jogos de Nagano, em 1998, Zali Steggall foi bronze no esqui alpino slalom feminino. Até 2006, foram três ouros e três bronzes conquistados pela Austrália nos Jogos Olímpicos de Inverno. A estas medalhas, juntam-se a quarta dourada e a primeira medalha de prata do país.

10.2.10

O curioso e incômodo jejum olímpico canadense



O Canadá é um dos países mais ricos do mundo, sendo inclusive parte integrante do G-8. É considerado por muitos o melhor país do mundo para se viver. Como bom país rico que se preze, o Canadá também tem uma tradição esportiva considerável. Em 44 Olimpíadas (24 de Verão e 20 de Inverno) disputadas, os canadenses ganharam 96 medalhas de ouro (379 no total; para efeito de comparação, o Brasil conquistou 20 ouros, somente em Olimpíadas de Verão). Detalhe: nenhum desses ouros foi conquistado pelo Canadá em casa.

Até hoje, o Canadá é o único país-sede a terminar uma Olimpíada de Verão sem conquistar uma medalha de ouro sequer (em 1976, nos Jogos de Montreal, os canadenses ganharam onze medalhas: cinco de prata e seis de bronze). Doze anos depois, a cidade de Calgary sediou as Olimpíadas de Inverno, e os anfitriões voltaram a dar vexame: ficaram com apenas cinco medalhas, duas de prata e três de bronze. Pelo menos esse dissabor o Canadá pode dividir com outros três países: França (1924, em Chamonix), Suíça (1928, em Saint-Moritz) e Iugoslávia (1984, em Sarajevo) também não subiram ao alto do pódio como países-sede de Olimpíadas de Inverno.

De todo modo, franceses e suíços o fizeram quando sediaram a competição em outras oportunidades. E como a Iugoslávia não existe mais, o Canadá é o único país filiado ao COI a passar em branco como anfitrião olímpico. A edição olímpica de inverno que começa nesta sexta-feira, em Vancouver, será a terceira Olimpíada que o Canadá sedia. E os canadenses estão loucos para acabar com esse incômodo jejum. Chances não vão faltar: como anfitriões, terão os seus 206 atletas espalhados por todas as modalidades olímpicas.

Uma esperança de medalha é a patinadora de velocidade Clara Hughes, atual campeã olímpica dos 5.000 metros e vice por equipes. Ela também é uma experiente ciclista, tendo participado de quatro edições dos Jogos Pan-Americanos (de 1991 a 2003) e ganho duas medalhas de bronze olímpicas (ambas nos Jogos de Atlanta, em 1996). Sua trajetória foi premiada: Hughes será a porta-bandeira de seu país na cerimônia de abertura.

Nos Jogos de Turim, em 2006, o Canadá ganhou sete medalhas de ouro (além de Clara Hughes, a também patinadora Cindy Klassen foi campeã nos 1.500 metros; Chandra Crawford, no esqui cross-country; Jennifer Heil, no esqui estilo livre; e a seleção de hóquei sobre o gelo, entre as mulheres. Já no masculino, a equipe de curling e Duff Gibson, no skeleton, também conquistaram o ouro), dez de prata e sete de bronze. Ou seja, experiência suficiente para quebrar o jejum, os canadenses têm de sobra.

7.2.10

A maior de todas as Olimpíadas de Inverno



Terá início na próxima sexta-feira dia 12, e irá até o dia 28, a 21ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Vancouver, no Canadá. É a continuação de um evento que, se não conta com o mesmo glamour dos Jogos de Verão (pelo menos para os países localizados abaixo da Linha do Equador), é importante para o movimento olímpico por sua relevância.

O maior evento esportivo de modalidades praticadas na neve e no gelo teve sua primeira edição realizada em 1924, em Chamonix, na França - o mesmo país que sediou os Jogos Olímpicos de Verão daquele mesmo ano, na capital Paris. Aliás, das quatro edições olímpicas de inverno realizadas no período anterior à Segunda Guerra Mundial, três foram no mesmo país das Olimpíadas "normais" (os Estados Unidos, em 1932, em Lake Placid/Los Angeles, e a Alemanha, em 1936, em Garmisch-Partenkirchen/Berlim, também receberam Olimpíadas de Inverno e Verão no mesmo ano; em 1928, os Jogos de Inverno foram em Saint-Moritz, na Suíça - que também receberia a primeira edição pós-guerra, em 1948 -, e os de Verão em Amsterdã, na Holanda).

Os Jogos Olímpicos de Inverno foram disputados no mesmo ano dos de Verão até 1992, em Albertville, na França. O Comitê Olímpico Internacional decidiu desvincular os seus dois eventos mais importantes para que os Jogos de Inverno não fossem eclipsados pelos de Verão e recebessem maior atenção e investimento. Então, o intervalo foi de apenas dois anos, e as Olimpíadas de Inverno de 1994 foram realizados em Lillehammer, na Noruega, voltando a ser de quatro anos logo depois. Desde então, o evento passou a marcar a primeira metade de cada ciclo olímpico.

Os Estados Unidos são o país que mais sediou Olimpíadas de Inverno, quatro vezes (Lake Placid, em 1932 e 1980; Squaw Valley, em 1960; e Salt Lake City, em 2002); a França vem a seguir, com três (Chamonix, em 1924; Grenoble, em 1968; e Albertville, em 1992). Este ano, o Canadá sedia pela segunda vez (a primeira foi em 1988, em Calgary). Curiosamente, apenas uma capital nacional sediou as Olimpíadas de Inverno até hoje: a norueguesa Oslo, em 1952.

Em 1924, apenas 258 atletas de dezesseis países disputaram medalhas em seis modalidades. Em 2010, 2.508 atletas de 80 países atuarão nos seguintes esportes: biatlo, bobsleigh, combinado nórdico, cross-country, curling, esqui alpino, esqui em estilo livre, hóquei sobre o gelo, luge, patinação artística, patinação de velocidade em pista curta, patinação de velocidade em pista longa, salto de esqui, skeleton e surfe na neve. Esta promete ser a maior edição da história das Olimpíadas de Inverno.

O Brasil disputa o evento desde 1992. Em 2010, cinco atletas brasileiros participarão: Isabel Clark, no surfe na neve (até hoje a atleta brasileira com a melhor colocação na história do evento, com o nono lugar obtido nos Jogos de Turim, em 2006); Jaqueline Mourão e Leandro Ribela, no cross-country; e Jhonatan Longhi e Maya Harrison, no esqui alpino. Os Jogos de Vancouver deverão marcar as estreias de Colômbia, Gana, Ilhas Cayman, Montenegro, Paquistão, Peru e Sérvia.

Nos Jogos de Turim, a Alemanha foi a primeira colocada no quadro de medalhas, com 11 ouros, 12 pratas e 6 bronzes. Os Estados Unidos acabaram em segundo, com 9 ouros, 9 pratas e 7 bronzes; a Áustria ficou em terceiro, com 9 ouros, 7 pratas e 7 bronzes. A anfitriã Itália acabou em nono, com 5 ouros e 6 bronzes.