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| Foto: Divulgação |
7.5.12
Crise financeira, boicotes, medo de deserção: a debacle do esporte cubano
24.3.08
A tocha olímpica de encontro à confusão

Foi acesa nesta segunda-feira, no sítio arqueológico de Olímpia, na Grécia, a tocha cuja chama percorrerá o mundo inteiro para acender a pira no Estádio Nacional de Pequim, no dia 8 de agosto. Normalmente, o gesto simboliza a busca pela paz entre os povos através do esporte. Mas, neste ano, há um certo "climão" no ar...
Como todos sabemos (talvez milhões de chineses nem tanto, embora não seja nenhuma novidade), houve protestos na região do Tibete, por maior autonomia - a reação das tropas chinesas foi consideravelmente violenta. Desde 1950, a China ocupa o Tibete e é constantemente acusada de massacrar culturalmente a região, passando por intromissões nas escolhas do Budismo e chegando ao povoamento do Tibete por chineses de várias regiões, investindo sem retorno nenhum para os tibetanos. Vários protestos em todo o planeta ecoam contra os chineses e a favor dos tibetanos, sem muito efeito, visto que a China é o país cuja economia é a que mais cresce em todo o mundo.
Não é a primeira vez que a China se envolve numa polêmica envolvendo relações políticas, às vésperas da mais importante competição que sedia. No ano passado, houve receio de que a França boicotasse os Jogos, em protesto contra os negócios do país asiático com o Sudão (de quem compra petróleo), que realiza há anos um massacre étnico na região de Darfur.
Pois bem: durante o ritual do acendimento da tocha em Olímpia, houve protesto da ONG Repórteres sem Fronteiras durante o discurso do presidente do Comitê Organizador dos Jogos. Aliás, houve protestos em várias partes do mundo contra a opressão chinesa ao Tibete. A situação ficou tão delicada que até o presidente do Comitê Olímpico Internacional, o belga Jacques Rogge (que normalmente se esquiva de questões políticas envolvendo as Olimpíadas), fez um pronunciamento no qual se declarou desapontado com tais manifestações, embora tenha ressaltado que estas não foram violentas.
De todo modo, há promessa de mais protestos durante o percurso da tocha até chegar em território chinês. A China conta com o pouco caso da comunidade internacional em relação à questão tibetana, talvez por costume, talvez por acomodação, talvez por interesses financeiros, ou talvez por medo, mesmo. Mesmo sem ser correto o fato de haver alguma possibilidade de boicote aos Jogos de Pequim, é inaceitável que o mundo dê de ombros a um fato tão grave como o que ocorre no Tibete há quase seis décadas.
28.4.07
Ségolène Royal ameaça boicotar Olimpíadas de Pequim se chegar à presidência da França. Algo que decidirá?
A candidata do Partido Socialista à presidência da França, Ségolène Royal, declarou não descartar um boicote francês às Olimpíadas de 2008 em caso de vitória nas eleições. Seria um protesto contra os vetos da China a uma hipotética intervenção da ONU na guerra civil do Sudão, causadora dos massacres das milícias apoiadas pelo governo sudanês na região de Darfur. Uma intervenção prejudicaria os interesses chineses na região, exportadora de petróleo.
Por mais que seja condenável uma atitude de fechar os olhos para um genocídio em nome de interesses econômicos, nada justifica um boicote a uma competição esportiva. O tempo mostra que esporte e política, por mais que estejam colados um no outro, devem permanecer separados em nome da dignidade. Os boicotes dos Estados Unidos e de parte do mundo ocidental às Olimpíadas de 1980, e o troco soviético e de parte do mundo socialista quatro anos mais tarde, mostraram-se infrutíferos por privarem o mundo de grandes duelos esportivos.
Se o adversário de Royal no segundo turno, o direitista Nicolas Sarkozy, aproveitar esse deslize e intensificar sua campanha junto à comunidade esportiva, pode levar vantagem nesse disputa equilibrada pelo Palácio do Eliseu. E ele descartou qualquer possibilidade de boicote às Olimpíadas de Pequim. Algo que pode decidir esse confronto pelo voto, pelo menos entre os amantes do esporte no país.
