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30.7.17

E a história olímpica se reescreve, mais uma vez


Pelo visto, será anunciado em setembro, na Sessão do COI em Lima, que Paris sediará os Jogos Olímpicos de 2024 e Los Angeles, os de 2028. Na minha opinião, é a melhor opção. O anúncio de que as sedes de duas Olimpíadas serão anunciadas simultaneamente (pelo que sei, isso só ocorrera duas vezes: a primeira em 1894, para decidir as sedes das duas primeiras edições, em 1896 e 1900; a segunda, em 1921, para escolher quem sediaria em 1924 e 1928) foi, segundo o COI, para cortar gastos – levemos em consideração que, depois de um período de forte concorrência em que quase uma dezena de cidades mundo afora se acotovelava para tentar receber as Olimpíadas (fenômeno que teve seu ápice nos anos 1990 e 2000) devido à potencial lucratividade, parecemos voltar à época em que poucas cidades concorriam a sede olímpica (a própria Los Angeles, em 1978, foi candidata única a receber os Jogos de 1984 e – desnecessário dizer – deu as cartas o tempo todo para impor as suas regras na organização do evento, fazendo o COI praticamente seu refém).

A cidade californiana, aliás, é considerada a grande responsável pela onda de candidaturas que tomaria conta do movimento olímpico dos anos 1980 aos 2000. O grande sucesso comercial dos Jogos da XXIII Olimpíada – que geraram lucro, algo inédito na história olímpica – provocou uma intensa corrida aos milhões de dólares que o status de sede olímpica poderia gerar. Antes disso, em 1981, apenas duas cidades haviam se prontificado a receber a Olimpíada de 1988 – a japonesa Nagoia e a sul-coreana Seul, que seria a vencedora e sediou os Jogos também de forma bem sucedida, embora não tanto como Los Angeles. Já em 1986, dois anos depois do estrondoso sucesso americano, nada menos que seis cidades se candidataram a sediar os Jogos Olímpicos de 1992, e a espanhola Barcelona foi a vencedora. Em 1990, mais seis cidades sonharam em receber a Olimpíada do Centenário, em 1996. Atenas era a favorita, mas a americana Atlanta ganhou. A concorrência era tão gigantesca (em quantidade e qualidade, pois eram cidades altamente relevantes as que queriam esse prêmio) que o COI chegou a impor uma “primeira fase” de cidades concorrentes, eliminando as menos qualificadas e restringindo a escolha da sede olímpica a quatro ou cinco finalistas. O ápice da insanidade olímpica foi a escolha para os Jogos de 2004. Em 1997, onze cidades queriam receber a primeira Olimpíada do Terceiro Milênio. Entre elas, o Rio de Janeiro – eliminado na primeira seleção, com outras cinco cidades. Atenas foi a vencedora.

Os cariocas teriam a sua vez doze anos depois, quando foram escolhidos para receber os Jogos da XXXI Olimpíada, em 2016. Primeiramente, qualificou-se à fase final com outras três cidades concorrentes (Chicago, Madri e Tóquio), eliminando outras três (Baku, Doha e Praga). Em 2 de outubro de 2009, a cidade foi escolhida, tornando-se a primeira localidade da América do Sul (e a primeira da América Latina desde 1968) a receber o evento. Até então, sediar uma Olimpíada era a oitava maravilha do mundo – ainda tínhamos na mente a fantástica Olimpíada de Pequim, no ano anterior ao da escolha. Fora uns e outros problemas em Jogos anteriores (como os problemas tecnológicos de Atlanta, os atrasos nas obras e os elefantes brancos de Atenas e a poluição de Pequim), uma Olimpíada era vista como um grande negócio. E o futuro era promissor, considerando que a Olimpíada seguinte (a de Londres, em 2012) era vista como sustentável e econômica, já que o mundo tinha acabado de passar por uma grave crise financeira.

Mas Londres, apesar da organização elogiável, não foi tão bem no seu intento de aproveitar a estrutura provisória de alguns locais de prova. Antes de esta Olimpíada se iniciar, o Rio se inspirou em algumas ideias londrinas, mas até hoje não conseguiu pô-las em prática: a transformação da Arena do Futuro (sede do handebol na Olimpíada e do golbol na Paralimpíada) em quatro escolas públicas gorou por falta de condições financeiras; o Parque Radical de Deodoro, sede de várias modalidades olímpicas, ainda não abriu para a população da região, ao contrário do que era prometido antes da Olimpíada; a Arena da Juventude, palco do basquete e do pentatlo moderno, não mais funcionou depois do encerramento olímpico, permanecendo fechada onze meses depois do encerramento dos Jogos. Ao mesmo tempo, para desespero do COI, os altos gastos e custos de sediar uma Olimpíada, que vinham se tornando maiores que eventuais bônus, começaram a causar desinteresse de potenciais cidades em receber atletas do mundo inteiro.

Um ano depois dos Jogos de Londres, apenas três finalistas concorreram a sede da Olimpíada de 2020. Inicialmente, seis cidades se aplicaram a tal – mas Roma desistiu no meio do caminho, e Baku e Doha novamente não foram aprovadas. Istambul, Madri e Tóquio foram à fase final, e a capital japonesa – que era a grande favorita, depois de terminar atrás apenas do Rio para 2016 – foi a vencedora. Contudo, os altos gastos do Rio, justamente quando o Brasil vivia a mais grave crise financeira de sua história, serviram como fonte de desinteresse para as cidades postulantes a 2024. Das cinco cidades iniciais, três desistiram – Hamburgo, Roma (pela segunda vez consecutiva) e Budapeste, nessa ordem. Apenas Los Angeles e Paris ficaram no páreo. O COI temia que mais nenhuma cidade tivesse interesse em receber os Jogos – ou, pior, apenas uma cidade quisesse receber os Jogos de 2028 e ditasse as regras do jogo, exatamente como Los Angeles fez para ganhar o direito sobre 1984. Com isso, ganhou força a possibilidade de as duas cidades receberem Olimpíadas consecutivas – uma em 2024, a outra em 2028. E essa proposta triunfou.

No momento, Paris é a favorita para receber os Jogos da XXXIII Olimpíada e os XVII Jogos Paralímpicos, em 2024; Los Angeles, os Jogos da XXXIV Olimpíada e os XVIII Jogos Paralímpicos, em 2028. As duas cidades têm boas estruturas, faltando apenas obras pontuais. Se elas não fizerem nada megalômano e tiverem responsabilidade com o dinheiro dos seus respectivos contribuintes, terão tudo para organizar excelentes Olimpíadas e, quem sabe, novamente despertar o interesse de várias cidades de todo o mundo em receber o maior evento esportivo mundial.

Curiosidade histórica: lembram quando, lá no início do texto, foi ressaltado que esta deverá ser a terceira vez em que o COI anunciará simultaneamente as sedes de duas Olimpíadas consecutivas? A cidade de Paris esteve envolvida em ambas: ela sediou em 1900 (foi anunciada junto com Atenas, que recebeu os Jogos da I Olimpíada, em 1896) e 1924 (a holandesa Amsterdã foi anunciada como sede da Olimpíada seguinte, que seria em 1928).

22.8.16

Vôlei fecha Olimpíada brasileira com chave de (literalmente) ouro

Foto: AP
A última participação brasileira na Olimpíada que o país sediou não poderia ter sido melhor. A seleção masculina de vôlei, participando de sua quarta final olímpica consecutiva, conquistou o tricampeonato olímpico ao derrotar a Itália (prata pela terceira vez, perseguindo um título que a ela permanece inédito) por 3 a 0 (25/22, 28/26 e 26/24), levando o Maracanãzinho ao delírio.
 
Caindo num grupo difícil na primeira fase, os comandados por Bernardo Rezende tiveram um início de competição instável: depois de vencerem o México e o Canadá por 3 a 1, perderam pelo mesmo placar para Estados Unidos e Itália, correndo o risco de eliminação precoce. Mas uma vitória, também por 3 a 1, sobre uma adversária direta, a França, classificou a equipe às quartas, onde ela conseguiu uma dura vitória por placar igual sobre a arquirrival Argentina, que havia feito uma excelente campanha e terminado em primeiro lugar no outro grupo da primeira fase. Naquele momento, a equipe anfitriã deslanchou: uma convincente vitória por 3 a 0 sobre a Rússia, para quem havia perdido a final de 2012, levou à grande decisão contra os italianos, onde o domínio brasileiro permaneceu mais uma vez. Os Estados Unidos ficaram com o bronze ao derrotarem os russos de virada, por 3 a 2 (23/25, 21/25, 25/19, 25/19 e 15/13).
 
Trata-se do mais importante título conquistado pelo vôlei brasileiro em seus domínios - o que é raro. Descontando os Campeonatos Sul-Americanos, a seleção havia conquistado apenas três títulos oficiais em casa: a Liga Mundial de 1993 e os Jogos Pan-Americanos de 1963 e 2007.
 
Encerrados os Jogos, os Estados Unidos terminaram em primeiro lugar no quadro de medalhas, com 46 ouros, 37 pratas e 38 bronzes (121 medalhas no total). A Grã-Bretanha terminou na segunda colocação, com 27 ouros (67 medalhas ao todo), um a mais do que a terceira colocada China (70 medalhas no total). O Brasil terminou na 13ª posição, com sete ouros, seis pratas e seis bronzes (19 medalhas no total).

21.8.16

Um dia histórico para o nosso futebol (e mais duas medalhas de brinde)

Foto: Antônio Scorza/Agência O Globo
O sábado começou com uma disputa emocionante na canoagem: na prova C-2 1000, os brasileiros Isaquias Queiroz e Erlon Silva terminaram na segunda colocação - atrás apenas dos alemães Sebastian Brendel e Jan Vandrey - e conquistaram a medalha de prata. Com isso, Isaquias torna-se o primeiro brasileiro a conquistar três medalhas numa única edição de Jogos Olímpicos. O Comitê Olímpico do Brasil anunciou que o canoísta será o porta-bandeira do Brasil na cerimônia de encerramento, na noite deste domingo, no Maracanã.
 
A tarde fez o maior estádio do Brasil testemunhar um fato inesquecível: num jogo dramático e equilibrado até o fim, a Seleção Brasileira conquistou o título que faltava ao futebol do país. Com um empate em 1 a 1 construído no tempo normal (Neymar fez o gol dos anfitriões) e uma partida nervosa até o fim da prorrogação, o Brasil derrotou a Alemanha nos pênaltis por 5 a 4 e conquistou a medalha de ouro. No Mineirão, algumas horas antes, a Nigéria derrotou Honduras por 3 a 2 e ficou com o bronze.
 
À noite, no taekwondo, Maicon Siqueira ganhou o bronze na categoria de mais de 80 quilos, sendo o primeiro homem a ganhar medalha olímpica na modalidade para o país.
 
Na véspera do encerramento dos Jogos, o Brasil ocupa a 14ª colocação no quadro de medalhas, com seis ouros (recorde do país na história olímpica), seis pratas e seis bronzes - 18 medalhas ao todo (outro recorde).

19.8.16

Um ouro histórico para a vela brasileira

Foto: Reuters
Até a meia-noite desta quinta-feira, duas medalhas foram conquistadas pelos atletas do Brasil nestes Jogos Olímpicos. Pela manhã, o canoísta Isaquias Queiroz, numa chegada sensacional, ganhou o bronze na prova C-1 200, de alta velocidade. O ouro ficou com o ucraniano Yuriy Cheban, e a prata com o azerbaijano Valentin Demyanenko.
 
Mas a tarde reservou a melhor surpresa para o esporte brasileiro: a primeira medalha de ouro da vela feminina nacional em Jogos Olímpicos. Na classe 49erFX, estreante em Olimpíadas, Martine Grael e Kahena Kunze ganharam a última regata e, em consequência, o título. As brasileiras atravessaram a linha de chegada apenas dois segundos à frente das vice-campeãs, as neozelandesas Alex Maloney e Molly Neech. As dinamarquesas Jena Mai Hansen e Katja Salskov-Iversen foram bronze.

O vôlei de praia deu mais duas medalhas ao país. Na madrugada de quarta para quinta, no torneio feminino, Ágatha e Bárbara foram derrotadas pelas alemãs Ludwig e Walkenhorst por 2 a 0 (21/18 e 21/14) e ficaram com a prata - na disputa do bronze, Larissa e Talita perderam para as americanas Ross e Walsh-Jennings por 2 a 1 (17/21, 21/17 e 15/9). Mas, no masculino, o ouro não escapou: Alison e Bruno Schmidt venceram os italianos Lupo e Nicolai por 2 a 0 (21/19 e 21/17), sendo a segunda dupla brasileira a ser campeã olímpica (doze anos depois de Emanuel e Ricardo ganharem o ouro em Atenas). Os holandeses Brouwer e Meeuwsen, superados pelos brasileiros nas semifinais, ficaram com o bronze ao derrotarem os russos Krasilnikov e Semenov por 2 a 0 (23/21 e 22/20).

A dois dias do encerramento das competições, o Brasil garantiu sua melhor campanha olímpica na História: por ora, são cinco medalhas de ouro, cinco de prata e cinco de bronze.

17.8.16

Um dia de altos e baixos, e mais duas medalhas

Foto: Pedro Kirilos/Agência O Globo
O esporte brasileiro teve um dia de altos e baixos nesta terça-feira olímpica no Rio. Se por um lado as seleções femininas de handebol, futebol e vôlei foram eliminadas e não têm mais chance de ganhar o ouro (o futebol ainda tentará o bronze, contra o Canadá, na sexta-feira), mais duas medalhas foram conquistadas pelo país-sede.
 
Uma medalha inédita para a canoagem de velocidade foi ganha pela manhã, na prova masculina C-1 1000 m (canoa individual, em um quilômetro de prova): Isaquias Queiroz, que já era visto como um grande nome brasileiro na modalidade, ficou com a prata ao terminar a prova atrás apenas do alemão Sebastian Brendel, que repetiu o ouro ganho em Londres. O bronze foi ganho pelo moldávio Serghei Tarnovschi.
 
Baiano como Isaquias, o pugilista Róbson Conceição (foto) também entrou para a história, como o primeiro campeão olímpico do boxe brasileiro, após vencer com autoridade a luta contra o francês Sofiane Oumiha, na categoria peso leve. O título veio com a decisão unânime dos jurados. O cubano Lázaro Álvarez (eliminado pelo brasileiro na semifinal) e o mongol Otgondalai Dorjnyambuu ficaram com o bronze.
 
O Brasil ocupa a 15ª colocação no quadro geral de medalhas, com três ouros, quatro pratas e quatro bronzes - mais duas medalhas já estão garantidas: as duplas Alison/Bruno Schmidt (masculino) e Ágatha/Bárbara (feminino) estão classificadas para as finais dos torneios de vôlei de praia.

15.8.16

Emoção em dose dupla na ginástica artística

Foto: Marcelo Carnaval/Agência O Globo
O Brasil ganhou mais duas medalhas neste domingo nos Jogos Olímpicos - e elas vieram na mesma prova. Na prova do solo da ginástica artística, Diego Hypolito e Arthur Nory Mariano fizeram grandes apresentações e subiram ao pódio. Bicampeão mundial na prova, mas que não vinha bem sucedido em Olimpíadas, Hypolito conquistou a prata, enquanto Nory (que disputou sua primeira Olimpíada) ficou com o bronze. O ouro foi ganho pelo britânico Max Whitlock.
 
Faltando uma semana para o final dos Jogos, o Brasil soma seis medalhas: uma de ouro (Rafaela Silva, na categoria até 57 quilos), duas de prata (a de Felipe Wu na pistola 10 metros do tiro e a de Hypolito no solo da ginástica artística) e três de bronze (duas no judô - a de Mayra Aguiar na categoria até 78 quilos e a de Rafael "Baby" Silva na com mais de 100 quilos - e a de Nory no solo da ginástica artística). Ainda virão mais: na categoria peso leve do boxe, Robson Conceição está na final contra o francês Sofiane Oumiha; no vôlei de praia feminino, as duas duplas brasileiras (Ágatha/Bárbara e Larissa/Talita) estão classificadas para as semifinais - assim, pelo menos, uma medalha de bronze está garantida. Além disso, as seleções femininas de handebol e vôlei fazem grandes campanhas, tendo terminado em primeiro nos seus grupos - e as seleções masculina e feminina de futebol estão nas semifinais.

No atletismo, o jamaicano Usain Bolt tornou-se o primeiro tricampeão olímpico dos 100 metros rasos, com o tempo de 9"81. O americano Justin Gatlin, campeão em 2004, ficou com a prata, com 9"89, e o canadense Andre de Grasse foi bronze, com 9"91.

12.8.16

Mayra Aguiar sobe ao pódio pela segunda vez

Foto: Reuters
A judoca Mayra Aguiar conquistou a medalha de bronze na categoria até 78 quilos, ao derrotar a cubana Yalennis Castillo com um yuko (a pontuação mínima) nos primeiros segundos da luta. Assim, a gaúcha se tornou a primeira brasileira a ganhar duas medalhas olímpicas no judô. Dividiu o bronze com a eslovena Anamari Velensek. A campeã foi a norte-americana Kayla Harrison, que ganhou o ouro pela segunda vez, bisando o feito de Londres. A prata ficou com a francesa Audrey Tchuméo, que havia derrotado Aguiar na semifinal.
 
O bronze de Mayra Aguiar foi a repetição da medalha ganha há quatro anos. A semifinal com Tchuméo teve arbitragem polêmica, embora a própria brasileira tenha admitido um erro na sua condução da luta.
 
Após seis dias de competições, o Brasil soma três medalhas (um ouro, uma prata e um bronze).

9.8.16

Uma recuperação histórica

Foto: Pedro Kirilos/Agência O Globo
E, no terceiro dia de competições, apareceu a primeira medalha de ouro do Brasil na Olimpíada do Rio. No judô, Rafaela Silva foi a grande campeã na categoria até 57 quilos, derrotando na final a mongol Sumiya Dorjsuren, com um waza-ari ainda no início da luta.
 
É a redenção da judoca da favela carioca da Cidade de Deus, que fica a poucos quilômetros de distância do Parque Olímpico em que ela conquistou o ouro. Há quatro anos, em Londres, ela foi desclassificada ao descumprir uma regra da luta (colocou a mão na perna da adversária, a húngara Hedvig Karakas, para tentar derrubá-la - o que era proibido desde aquela Olimpíada). Mas nada há que o tempo não cure: nesse meio tempo, Rafaela progrediu, conquistando o título mundial no Maracanãzinho, em 2013. O ouro olímpico representa a consagração da jovem revelada pelo projeto liderado por outro medalhista olímpico no judô, Flávio Canto.
 
A portuguesa Telma Monteiro e a japonesa Kaori Matsumoto ficaram com a medalha de bronze.

7.8.16

Felipe Wu quebra um jejum de 96 anos

Foto: Agência O Globo
No primeiro dia de competições dos Jogos Olímpicos do Rio, foi quebrado um jejum de quase um século. Depois de 96 anos, o Brasil voltou a ganhar uma medalha olímpica no tiro esportivo, modalidade que deu as três primeiras medalhas olímpicas ao país, nos Jogos de 1920, em Antuérpia, na Bélgica. Na prova de pistola 10 metros, Felipe Wu conquistou a medalha de prata, apenas quatro décimos atrás do campeão, o vietnamita Hoàng Xuân Vinh (202,5 pontos a 202,1). O chinês Pang Wei ficou com o bronze (180,4 pontos).
 
No judô, porém, os brasileiros não foram bem. Na categoria masculina até 60 quilos, Felipe Kitadai foi eliminado nas quartas de final - o mesmo ocorrendo com Sarah Menezes, que defendia o título conquistado em Londres, na categoria até 48 quilos. As medalhas de ouro ficaram com o russo Beslan Mudranov e a argentina Paula Pareto.
 
No vôlei, a seleção do Brasil, atual bicampeã olímpica, começou bem sua busca pelo tri: estreou derrotando a estreante seleção de Camarões por 3 a 0 (25/14, 25/21 e 25/13). No basquete, a seleção feminina começou até bem, chegou ao intervalo à frente no placar, mas não resistiu ao maior volume de jogo da Austrália, que venceu por 84 a 66. No futebol, depois de vencer a China na estreia por 3 a 0, a Seleção feminina goleou a Suécia por 5 a 1, garantindo vaga nas quartas de final.

6.8.16

Com bela festa, o Brasil dá o seu recado

Foto: AP
Com um espetáculo surpreendente, foram abertos oficialmente os Jogos da XXXI Olimpíada, no Estádio do Maracanã. A festa teve direito a homenagens a Tom Jobim, Oscar Niemeyer e Santos-Dumont, e contou com a emoção das apresentações e das coreografias, que empolgaram a plateia presente no estádio. A pira olímpica foi acesa por Vanderlei Cordeiro de Lima, medalhista de bronze na maratona em 2004.
 
Mais do que abrir uma Olimpíada, a cerimônia mostrou a capacidade que o brasileiro tem de superar as adversidades. Elas não foram poucas: crise política e econômica, questionamentos alheios sobre o que poderíamos fazer ao organizar um evento tão importante, entre outras. A Olimpíada ainda está no começo, e até o dia 21 muita coisa poderá acontecer. Mas seguimos na luta pra continuarmos o nosso caminho.
 
Que comecem os Jogos!

3.8.16

Seis esportes entrarão nos Jogos Olímpicos de 2020

Foto: Divulgação
A dois dias da abertura oficial dos Jogos Olímpicos de 2016, o Comitê Olímpico Internacional anunciou que na edição de 2020, em Tóquio, haverá a estreia de quatro esportes e o retorno de outros dois. Na 129ª Sessão do COI, realizada na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, foi anunciado que caratê, escalada, skate e surfe entrarão no programa olímpico pela primeira vez, e beisebol e softbol retornarão depois de doze anos - a última vez em que estas duas modalidades foram disputadas numa Olimpíada foi nos Jogos de Pequim, em 2008.
 
O beisebol tem certa história em Jogos Olímpicos: disputado em caráter demonstrativo várias vezes de 1904 a 1988, passou a valer medalhas em 1992. Cuba é a maior campeã, com três medalhas de ouro (1992, 1996 e 2004); os Estados Unidos foram campeões em 2000, e a Coreia do Sul em 2008. Curiosamente, o beisebol é o único esporte coletivo que nunca permitiu a participação de atletas profissionais em Olimpíadas, o que pode mudar daqui a quatro anos. As competições de beisebol entre seleções estão bem mais estabelecidas do que há oito anos - o Mundial da modalidade é disputado desde 2006, e sua quarta edição será disputada no ano que vem (Japão, duas vezes, e República Dominicana já conquistaram o título).
 
Já o softbol, disputado apenas por mulheres, tem história mais curta: entrou no programa olímpico em 1996, com os Estados Unidos ganhando o ouro (o fariam também em 2000 e 2004); o Japão foi o mais recente campeão, em 2008. Diferentemente do beisebol, as seleções do softbol costumavam levar força máxima às Olimpíadas, o que deverá se repetir em Tóquio.
 
O Brasil não tem muita tradição nestas duas modalidades, mas tem esperança de medalha em algumas das que estrearão na capital japonesa - principalmente no skate e no surfe, com vários campeões mundiais nos últimos anos.

1.8.16

Depois do bombardeio, agora é a nossa vez

Quando o Rio de Janeiro foi escolhido cidade-sede dos Jogos da XXXI Olimpíada, em 2 de outubro de 2009, já havia cobranças de toda parte do mundo para que entregássemos, pelo menos, uma Olimpíada digna. Seis anos e dez meses se passaram e, mesmo que aos trancos e barrancos, estamos quase lá. Nesta sexta-feira, será realizada a cerimônia de abertura no Estádio do Maracanã (dois dias antes, começarão os torneios de futebol).
 
Mas ninguém disse que seria fácil. Além do questionamento natural acerca da capacidade de uma cidade sul-americana sediar a maior festa do esporte mundial pela primeira vez na História (sendo a primeira latino-americana em 48 anos), tivemos inúmeros problemas pelo caminho. Uma crise econômica e política sem precedentes atinge o Brasil há pelo menos um ano e meio (pelo menos ela consolidou a presente força de nossas instituições, moldada em três décadas de redemocratização). Além disso, muitas promessas acabaram não sendo cumpridas (principalmente na parte ambiental, com o fracassado plano de despoluição da Baía de Guanabara). A abertura da Vila Olímpica teve prédios ainda inacabados e com obras feitas de última hora. Como se isso não fosse o bastante, a ameaça terrorista paira sobre o mundo e, como não poderia deixar de ser, os Jogos Olímpicos estão em certo clima de tensão.
 
Mas muita coisa boa também aconteceu durante os preparativos cariocas. Apesar de alguns atrasos, as obras de construção das estruturas permanentes e provisórias estão devidamente finalizadas, com arenas modernas que receberão os maiores atletas do planeta. A malha viária do Rio progrediu, com a tão sonhada extensão do metrô até a Barra da Tijuca, que será o grande centro dos Jogos. O Centro da cidade pulsa, renovado, em sua efervescência cultural. A poucos dias do início de uma nova Olimpíada, o Rio parece renascer. Com suas imperfeições, é verdade, mas fácil não seria.
 
Muitos dizem que um país como o nosso não poderia receber algo tão importante por causa da falta de estrutura. Mas já que essa responsabilidade nos foi dada, resta-nos fazer o melhor possível.

5.7.16

Toda Olimpíada tem seus problemas. Basta saber resolvê-los

Foto: Márcio Alves/Agência O Globo
A exatamente um mês dos Jogos da XXXI Olimpíada, o Rio parece viver o caos absoluto: crise financeira, problemas de segurança, obras ainda pululando pelas ruas da cidade, todo e qualquer motivo de tensão atinge a cidade-sede da maior competição esportiva mundial. Visto desta forma, até parece que é pelo fato de os Jogos Olímpicos serem disputados pela primeira vez na América do Sul (e de volta à América Latina depois de 48 anos). Mas o cabedal de problemas não é exatamente inédito para uma sede olímpica. Pelo contrário: isso é uma constante.
 
Atenho-me aos problemas nos preparativos para os Jogos: afinal, é neles que se concentram as expectativas de um bom evento. Nesse aspecto, a edição de 2004, em Atenas, foi a campeã, com atrasos nas obras (quem acha que o Rio atrasou, não se lembra de doze anos atrás) e verdadeiros elefantes brancos como arenas de beisebol e vôlei de praia que mofam até hoje na paisagem ateniense. Quatro anos depois, em Pequim, a polêmica maior foi acerca da questão dos direitos humanos e da poluição que atingia a capital chinesa. Nos Jogos de 2012, em Londres, a imprensa britânica questionava a capacidade do próprio país em sediar uma Olimpíada dias antes de seu início. Foram, contudo, Jogos bem-sucedidos como a grande parte dos demais.
 
Haver problemas antes de uma Olimpíada é perfeitamente normal - basta saber encará-los e, principalmente, resolvê-los.

5.1.16

Um bom ano olímpico a todos!

Imagem: Rio Media Center
Nesta primeira terça-feira de 2016, faltam exatos sete meses para a cerimônia de abertura dos Jogos da XXXI Olimpíada. E, depois de um longo e tenebroso inverno, o Olimpismo está de volta para informar sobre os preparativos da cidade do Rio de Janeiro para receber a primeira Olimpíada da América do Sul.
 
Como sabemos, o ano de 2015 não foi nada fácil. O de 2016 promete ser tão difícil quanto, levando-se em consideração as enormes dificuldades pelas quais a nossa economia passa. Mas algumas pequenas vitórias foram obtidas nestes últimos 12 meses, como a quase conclusão das obras das instalações esportivas da cidade para os Jogos Olímpicos. As obras de mobilidade urbana que interferem na vida dos cidadãos da capital fluminense desde 2009 também parecem bem encaminhadas. Contudo, algumas críticas se fazem necessárias, como a falta de planejamento do estado do Rio no que se refere à crise de corrupção que assola a Petrobrás (entre outras tantas instituições deste país) e a baixa no preço do petróleo, causando reflexos negativos no cotidiano, principalmente na saúde pública e na segurança. Continua valendo exatamente como dissemos em outubro de 2009: sigamos cobrando.
 
Esportivamente, também não nos foi um ano fácil: os desempenhos dos nossos atletas em 2015 foram aquém das nossas expectativas. Espera-se, porém, que um melhor preparo físico e psicológico, combinado à força da torcida, leve nossos atletas a bons desempenhos no Rio em agosto. Sabe-se que não será nada fácil enfrentar a nata do esporte mundial, mesmo sendo o país anfitrião. Ainda assim, torceremos - não apenas durante, mas principalmente depois dos Jogos.

3.7.15

Tocha olímpica de 2016 é apresentada

Faltando 399 dias para a cerimônia de abertura dos Jogos da XXXI Olimpíada, foi apresentada nesta sexta-feira a tocha que será acesa no início do ano que vem na cidade grega de Olímpia, e abrigará a chama em um revezamento por todo o território brasileiro que se encerrará no Estádio do Maracanã, no dia 5 de agosto de 2016.
 
O desenho da tocha valoriza as formas naturais da cidade-sede dos próximos Jogos Olímpicos, e foi feito por uma agência de São Paulo, escolhida após processo nacional de seleção. A tocha tem como característica o fato de se abrir quando da passagem da chama a outra tocha: nas aberturas, as cores da bandeira nacional homenageiam a alegria e a natureza da sede do evento.

24.3.15

Faltam 500 dias

Nesta terça-feira, 24 de março, faltam 500 dias para a cerimônia de abertura dos Jogos da XXXI Olimpíada - e, depois de um longo e tenebroso inverno, o Olimpismo está de volta, com novo visual. Ao longo dos próximos 17 meses, iremos reportar e comentar os preparativos da cidade do Rio de Janeiro para receber a maior festa do esporte mundial, e opinaremos sobre os grandes nomes e acontecimentos esportivos nesse período.

10.4.14

Atrasos da Rio 2016 preocupam e COI decide intervir

Foto: Divulgação
Depois de um bom começo, em que chegou a empolgar por suas ações de evolução nos preparativos (principalmente no que se refere à infraestrutura), a organização dos Jogos Olímpicos de 2016 vem recebendo críticas de todos os lados. As mais contundentes vieram do presidente da Associação das Federações Internacionais Olímpicas de Verão, o italiano Francesco Ricci Bitti, que afirmou que o Rio tem as preparações para sediar uma Olimpíada mais atrasadas em 20 anos, chegando a ventilar a possibilidade de transferir algumas modalidades para outras grandes cidades brasileiras caso a situação não mude em alguns meses. O presidente do Comitê Olímpico Internacional, o alemão Thomas Bach, já havia alertado em visita ao Rio, em janeiro, que não havia mais tempo a perder.
 
De fato, o Rio anda bem atrasado na construção dos locais de disputa, em comparação com as obras de infraestrutura da cidade. Alguns locais de prova estão ainda na licitação, e o Complexo Esportivo de Deodoro ainda não saiu do papel. O Centro Olímpico de Treinamento (foto acima), no bairro de Jacarepaguá, que será o grande centro de disputas das modalidades olímpicas, recentemente teve uma greve de seus funcionários de construção - no momento, suspensa. A situação se agravou de tal forma que o próprio COI anunciou que acompanhará mais de perto os preparativos, com visitas regulares à cidade-sede olímpica.
 
Tais atrasos não são em nada surpreendentes, quando lembramos dos preparativos para os Jogos Pan-Americanos de 2007 - quando a construção do Estádio Olímpico João Havelange e a reforma do Maracanãzinho foram concluídas quase em cima da hora - e testemunhamos o sufoco que ora passa a organização da Copa do Mundo de 2014. Mas, infelizmente, vemos que isso é recorrente em eventos organizados no Brasil - e esperava-se que, pelo menos na Olimpíada de 2016, fosse um pouco diferente.
 
Pode-se culpar a nossa conhecida leniência à lentidão e a cultura do "jeitinho" para qualquer coisa, mas a velha politicagem também entra nessa roda. Os dirigentes que reclamam da organização olímpica de 2016 dizem que o Comitê Organizador está até fazendo sua parte, mas queixam-se da falta de apoio governamental. Compreensível: o governo federal patina nos índices de popularidade e na séria ameaça de crise financeira (a única coisa capaz de derrubar qualquer governo); o estadual se desgasta no combate à criminalidade e no período de transição governamental; e o municipal, o que poderia mais fazer nessa altura (visto a ser o único não envolvido nas eleições deste ano), escorrega na conhecida falta de modéstia do seu chefe executivo. Dessa forma, fica difícil avançar consideravelmente, embora ainda haja tempo de reagir. A intervenção do COI pode ter sido um primeiro passo para que as coisas, enfim, acelerem.

10.9.13

Ex-esgrimista alemão é o novo presidente do COI

Foto: AFP
Depois da vitória de Tóquio na corrida para sediar os Jogos Olímpicos de 2020, a 125ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional prosseguiu em Buenos Aires. No domingo, ficou decidido que a luta olímpica não deixará o programa dos Jogos depois de 2016, risco que corria depois do limbo em que foi posta pelo COI. No final, a modalidade foi a mais votada para ser incluída no programa de 2020, à frente do beisebol (com o softbol a tiracolo) e do squash.
 
Mas o ápice final da reunião da família olímpica se deu nesta terça-feira, com a eleição do novo presidente do COI. Concorriam à sucessão do belga Jacques Rogge o alemão Thomas Bach, o ucraniano Sergey Bubka, o porto-riquenho Richard Carrión, o cingapuriano Ng Ser Miang, o suíço Denis Oswald e o taiwanês Wu Ching-Kuo. Bach, campeão olímpico na esgrima em 1976 (no florete, por equipes), era o favorito e foi o eleito, na segunda rodada de votações. É o décimo presidente do COI, em 119 anos de história da entidade.

7.9.13

56 anos depois, Tóquio voltará a ser a capital esportiva mundial

Foto: Getty Images
Uma das maiores cidades do planeta, a capital da Terra do Sol Nascente confirmou seu favoritismo neste sábado. Na 125ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional, realizada em Buenos Aires, na Argentina, Tóquio foi eleita a cidade-sede dos Jogos da XXXII Olimpíada e dos XVI Jogos Paralímpicos, a serem realizados em 2020.

Primeira cidade asiática a receber uma Olimpíada, em 1964, Tóquio escora-se na sua estabilidade financeira para organizar a sua segunda edição olímpica. Experiência também não falta aos japoneses: contando edições de Verão e de Inverno, esta será a quarta Olimpíada que o Japão receberá (sediou também duas Olimpíadas de Inverno: em 1972, na cidade de Sapporo, e em 1998, em Nagano). E, seguindo os mesmos critérios, esta será a segunda Olimpíada consecutiva no Extremo Oriente: a sul-coreana Pyeongchang sediará a Olimpíada de Inverno em 2018, fazendo com que haja um ciclo olímpico inteiro na região.

Na primeira rodada de votação, Tóquio obteve a liderança com 42 votos - caso tivesse obtido mais sete, ganharia de forma direta. Mas isso não aconteceu, e as demais concorrentes terminaram empatadas: Istambul e Madri tiveram 26 votos cada. No desempate, os turcos tiveram 49 votos, contra 45 dos espanhóis, que corriam por fora e eram vistos como os únicos que poderiam fazer frente aos favoritos japoneses. Na rodada final, Tóquio derrotou Istambul por 60 a 36.